sábado, 17 de junho de 2017

Época enterra Temer, 'o chefe da quadrilha'

Blog do Miro Borges

Época enterra Temer, 'o chefe da quadrilha'

Por Altamiro Borges

A famiglia Marinho, principal protagonista do "golpe dos corruptos" que depôs Dilma Rousseff, está realmente decidida a se desfazer rapidamente de Michel Temer, o líder da máfia que assaltou o poder. Para manter intocado o projeto ultraliberal de desmonte do Estado, da nação e do trabalho, a poderosa Rede Globo optou por descartar o bagaço e viabilizar um genérico via eleição indireta no Congresso Nacional. A revista Época desta semana, que estampa na capa o título "Temer é o chefe da quadrilha mais perigosa do Brasil", pode acelerar o enterro do Judas. Nos próximos dias, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, apresentará a sua denúncia contra o usurpador, possibilitando a abertura do processo de impeachment. A entrevista do mafioso Joesley Batista, publicada na revista, indica que a temperatura política vai esquentar em Brasília. Vale conferir alguns trechos:


Quando o senhor conheceu Temer?

Joesley Batista – Conheci Temer através do ministro Wagner Rossi, em 2009, 2010. Logo no segundo encontro ele já me deu o celular dele. Daí em diante passamos a falar. Eu mandava mensagem para ele, ele mandava para mim. De 2010 em diante. Sempre tive relação direta. Fui várias vezes ao escritório da Praça Pan-Americana, fui várias vezes ao escritório no Itaim, fui várias vezes à casa dele em São Paulo, fui alguma vezes ao Jaburu, ele já esteve aqui em casa, ele foi ao meu casamento. Foi inaugurar a fábrica da Eldorado.

Qual, afinal, a natureza da relação do senhor com o presidente Temer?

Nunca foi uma relação de amizade. Sempre foi uma relação institucional, de um empresário que precisava resolver problemas e via nele a condição de resolver problemas. Acho que ele me via como um empresário que poderia financiar as campanhas dele – e fazer esquemas que renderiam propina. Toda a vida tive total acesso a ele. Ele por vezes me ligava para conversar, me chamava, e eu ia lá.

Conversar sobre política?

Ele sempre tinha um assunto específico. Nunca me chamou lá para bater papo. Sempre que me chamava, eu sabia que ele ia me pedir alguma coisa ou ele queria alguma informação.

Segundo a colaboração, Temer pediu dinheiro ao senhor já em 2010. É isso?
Isso. Logo no início. Conheci Temer, e esse negócio de dinheiro para campanha aconteceu logo no iniciozinho. O Temer não tem muita cerimônia para tratar desse assunto. Não é um cara cerimonioso com dinheiro.

Ele sempre pediu sem algo em troca?
Sempre estava ligado a alguma coisa ou a algum favor. Raras vezes não. Uma delas foi quando ele pediu os R$ 300 mil para fazer campanha na internet antes do impeachment, preocupado com a imagem dele. Fazia pequenos pedidos. Quando o Wagner saiu, Temer pediu um dinheiro para ele se manter. Também pediu para um tal de Milton Ortolon, que está lá na nossa colaboração. Um sujeito que é ligado a ele. Pediu para fazermos um mensalinho. Fizemos. Volta e meia fazia pedidos assim. Uma vez ele me chamou para apresentar o Yunes. Disse que o Yunes era amigo dele e para ver se dava para ajudar o Yunes.

E ajudou?
Não chegamos a contratar. Teve uma vez também que ele me pediu para ver se eu pagava o aluguel do escritório dele na praça [Pan-Americana, em São Paulo]. Eu desconversei, fiz de conta que não entendi, não ouvi. Ele nunca mais me cobrou.

Ele explicava a razão desses pedidos? Por que o senhor deveria pagar?
O Temer tem esse jeito calmo, esse jeito dócil de tratar e coisa. Não falava.

Ele não deu nenhuma razão?
Não, não ele. Há políticos que acreditam que pelo simples fato do cargo que ele está ocupando já o habilita a você ficar devendo favores a ele. Já o habilita a pedir algo a você de maneira que seja quase uma obrigação você fazer. Temer é assim.

O empréstimo do jatinho da JBS ao presidente também ocorreu dessa maneira?
Não lembro direito. Mas é dentro desse contexto: “Eu preciso viajar, você tem um avião, me empresta aí”. Acha que o cargo já o habilita. Sempre pedindo dinheiro. Pediu para o Chalita em 2012, pediu para o grupo dele em 2014.

Houve uma briga por dinheiro dentro do PMDB na campanha de 2014, segundo o lobista Ricardo Saud, que está na colaboração da JBS.
Ricardinho falava direto com Temer, além de mim. O PT mandou dar um dinheiro para os senadores do PMDB. Acho que R$ 35 milhões. O Temer e o Eduardo descobriram e deu uma briga danada. Pediram R$ 15 milhões, o Temer reclamou conosco. Demos o dinheiro. Foi aí que Temer voltou à Presidência do PMDB, da qual ele havia se ausentado. O Eduardo também participou ativamente disso.

Como era a relação entre Temer e Eduardo Cunha?
A pessoa a qual o Eduardo se referia como seu superior hierárquico sempre foi o Temer. Sempre falando em nome do Temer. Tudo que o Eduardo conseguia resolver sozinho, ele resolvia. Quando ficava difícil, levava para o Temer. Essa era a hierarquia. Funcionava assim: primeiro vinha o Lúcio [o operador Lúcio Funaro]. O que ele não conseguia resolver pedia para o Eduardo. Se o Eduardo não conseguia resolver, envolvia o Michel.

Segundo as provas da delação da JBS e de outras investigações, o senhor pagava constantemente tanto para Eduardo Cunha quanto para Lúcio Funaro, seja por acertos na Câmara, seja por acertos na Caixa, entre outros. Quem ficava com o dinheiro?
Em grande parte do período que convivemos, meu acerto era direto com o Lúcio. Eu não sei como era o acerto do Lúcio do Eduardo, tampouco do Eduardo com o Michel. Eu não sei como era a distribuição entre eles. Eu evitava falar de dinheiro de um com o outro. Não sabia como era o acerto entre eles. Depois, comecei a tratar uns negócios direto com o Eduardo. Em 2015, quando ele assumiu a presidência da Câmara. Não sei também quanto desses acertos iam para o Michel. E com o Michel mesmo eu também tratei várias doações. Quando eu ia falar de esquema mais estrutural com Michel, ele sempre pedia para falar com o Eduardo. “Presidente, o negócio do Ministério da Agricultura, o negócio dos acertos…” Ele dizia: “Joesley, essa parte financeira toca com o Eduardo e se acerta com o Eduardo”. Ele se envolvia somente nos pequenos favores pessoais ou em disputas internas, como a de 2014.

O senhor realmente precisava tanto assim desse grupo de Eduardo Cunha, Lúcio Funaro e Temer?

Eles foram crescendo no FI-FGTS, na Caixa, na Agricultura – todos órgãos onde tínhamos interesses. Eu morria de medo de eles encamparem o Ministério da Agricultura. Eu sabia que o achaque ia ser grande. Eles tentaram. Graças a Deus, mudou o governo e eles saíram. O mais relevante foi quando Eduardo tomou a Câmara. Aí virou CPI para cá, achaque para lá. Tinha de tudo. Eduardo sempre deixava claro que o fortalecimento dele era o fortalecimento do grupo da Câmara e do próprio Michel. Aquele grupo tem o estilo de entrar na sua vida sem ser convidado.

Pode dar um exemplo?

O Eduardo, quando já era presidente da Câmara, um dia me disse assim: “Joesley, tão querendo abrir uma CPI contra a JBS para investigar o BNDES. É o seguinte: você me dá R$ 5 milhões que eu acabo com a CPI”. Falei: “Eduardo, pode abrir, não tem problema”. “Como não tem problema? Investigar o BNDES, vocês.” Falei: “Não, não tem problema”. “Você tá louco?” Depois de tanto insistir, ele virou bem sério: “É sério que não tem problema?”. Eu: “É sério”. Ele: “Não vai te prejudicar em nada?”. “Não, Eduardo.” Ele imediatamente falou assim: “Seu concorrente me paga R$ 5 milhões para abrir essa CPI. Se não vai te prejudicar, se não tem problema… Eu acho que eles me dão os R$ 5 milhões”. “Uai, Eduardo, vai sua consciência. Faz o que você achar melhor.” Esse é o Eduardo. Não paguei e não abriu. Não sei se ele foi atrás. Esse é o exemplo mais bem-acabado da lógica dessa Orcrim.

Algum outro?
Lúcio fazia a mesma coisa. Virava para mim e dizia: “Tem um requerimento numa CPI para te convocar. Me dá R$ 1 milhão que eu barro”. Mas a gente ia ver e descobria que era algum deputado a mando dele que estava fazendo. É uma coisa de louco.

O senhor não pagou?
Nesse tipo de coisa, não. Tinha alguns limites. Tinha que tomar cuidado. Essa é a maior e mais perigosa organização criminosa deste país. Liderada pelo presidente.

O chefe é o presidente Temer?
O Temer é o chefe da Orcrim da Câmara. Temer, Eduardo, Geddel, Henrique, Padilha e Moreira. É o grupo deles. Quem não está preso está hoje no Planalto. Essa turma é muita perigosa. Não pode brigar com eles. Nunca tive coragem de brigar com eles. Por outro lado, se você baixar a guarda, eles não têm limites. Então meu convívio com eles foi sempre mantendo à meia distância: nem deixando eles aproximarem demais nem deixando eles longe demais. Para não armar alguma coisa contra mim. A realidade é que esse grupo é o de mais difícil convívio que já tive na minha vida. Daquele sujeito que nunca tive coragem de romper, mas também morria de medo de me abraçar com ele.

No decorrer de 2016, o senhor, segundo admite e as provas corroboram, estava pagando pelo silêncio de Eduardo Cunha e Lúcio Funaro, ambos já presos na Lava Jato, com quem o senhor tivera acertos na Caixa e na Câmara. O custo de manter esse silêncio ficou alto demais? Muito arriscado?
Virei refém de dois presidiários. Combinei quando já estava claro que eles seriam presos, no ano passado. O Eduardo me pediu R$ 5 milhões. Disse que eu devia a ele. Não devia, mas como ia brigar com ele? Dez dias depois ele foi preso. Eu tinha perguntado para ele: “Se você for preso, quem é a pessoa que posso considerar seu mensageiro?”. Ele disse: “O Altair procura vocês. Qualquer outra pessoa não atenda”. Passou um mês, veio o Altair. Meu Deus, como vou dar esse dinheiro para o cara que está preso? Aí o Altair disse que a família do Eduardo precisava e que ele estaria solto logo, logo. E que o dinheiro duraria até março deste ano. Fui pagando, em dinheiro vivo, ao longo de 2016. E eu sabia que, quando ele não saísse da cadeia, ia mandar recados.

E o Lúcio Funaro?

Foi parecido. Perguntei para ele quem seria o mensageiro se ele fosse preso. Ele disse que seria um irmão dele, o Dante. Depois virou a irmã. Fomos pagando mesada. O Eduardo sempre dizia: “Joesley, estamos juntos, estamos juntos. Não te delato nunca. Eu confio em você. Sei que nunca vai me deixar na mão, vai cuidar da minha família”. Lúcio era a mesma coisa: “Confio em você, eu posso ir preso porque eu sei que você não vai deixar minha família mal. Não te delato”.

E eles cumpriram o acerto, não?
Sim. Sempre me mandando recados: “Você está cumprindo tudo direitinho. Não vão te delatar. Podem delatar todo mundo menos você”. Mas não era sustentável. Não tinha fim. E toda hora o mensageiro do presidente me procurando para garantir que eu estava mantendo esse sistema.

Quem era o mensageiro?
Joesley – Geddel. De 15 em 15 dias era uma agonia terrível. Sempre querendo saber se estava tudo certo, se ia ter delação, se eu estava cuidando dos dois. O presidente estava preocupado. Quem estava incumbido de manter Eduardo e Lúcio calmos era eu.

O ministro Geddel falava em nome do presidente Temer?
Sem dúvida. Depois que o Eduardo foi preso, mantive a interlocução desses assuntos via Geddel. O presidente sabia de tudo. Eu informava o presidente por meio do Geddel. E ele sabia que eu estava pagando o Lúcio e o Eduardo. Quando o Geddel caiu, deixei de ter interlocução com o Planalto por um tempo. Até por precaução.

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A blogueira Elika Takimoto conta neste texto o seu encontro com Lula e a sua filiação ao PT.



BLOG DO  SARAIVA







Hoje, como muitos já sabem, encontrei-me com o homem que, quer queiram ou não, será citado em todos os livros da história do Brasil. Muitos já o estão acusando de aproveitador sem sequer saber da missa a metade.
(Como assim ele o aproveitador e não eu? Nem entendi…).

Tudo aconteceu por conta dessa fama que conquistei nas redes. Não sei como justificá-la, pois não sou nada demais. Apenas há anos falo sobre o que me dá na telha.
Seja lá o que for, aconteceu. Hoje, vejam vocês, me param nas ruas para tirarem selfie. Acho mega esquisito tudo isso… mas, mais do que isso, muito mais do que isso… ando sendo convidada para palestras em todo o Brasil e para entrar para política. Para quem não sabe, faço parte de um.coletivo político onde debatemos vários temas para tentar compreender essa loucura chamada Brasil e essa galera animada em fazer e acontecer tem insistido na minha candidatura. Vejam vocês o que é a vida…
Uma coisa é fazer textão em blog pessoal e postar no Facebook. Outra, completamente diferente, é atuar em algum cargo político. Há meses já venho conversando com muita gente, ouvindo opinião de quem é do meio, colhendo conselhos de quem não tem nada a ver com política, escutando meus pais… enfim, ando ponderando tudo, podem ter certeza.
Não sei se é do conhecimento de vocês, mas devido a um texto que escrevi relatando um processo de censura que sofri por conta do.mercado editorial, Lula me ligou apenas, na ocasião, para me parabenizar pela minha coragem. Disse, fofamente, para eu continuar assim. Foi lindo e emocionante demais. Imagina. Eu. Toca o telefone. Lula…
Depois daquela conversa, tudo começou a mudar em minha vida em um sentido diferente. Políticos entraram em contato querendo conversar comigo e comecei a receber de onde menos sonhava orientações sobre as possibilidades de meu futuro.
Há duas semanas, já perdida com tanta informação, tive a ideia de tentar ir direto ao papa. Se for para me aconselhar com alguém, que seja por aquele que mais ganhou meus votos de confiança nessa vida: Lula.
Entrei em contato com sua assessora que havia chegado até mim e pedido meu telefone por causa daquele texto já supracitado que tocou o coração do meu presidente.
– Gabi, olha, vou parecer ridícula, mas estou vivendo um dilema em minha vida…
E contei-lhe tudo.
– Será que Lula me receberia para uma conversa? Tenho certeza de que ele pode dar uma luz sobre o que fazer com meu futuro. Estou tensa… mas sei que há muitos problemas mais urgentes, sei que o tempo dele é curto… mas vai que né?
Gabi pediu um tempo que ia perguntar a Lula se ele me receberia.
– Elika, ele disse que te recebe com prazer.
Morri.
Ok. Respira.
Marcamos uma data e cá estou eu em São Paulo de frente para o Instituto Lula escrevendo esse texto…
Pulando todas as etapas e sem aprofundar na loucura que foi eu trazer meus três filhos e Lucimar, minha empregada, junto, hoje, fui recebida por ele.
Ao ver toda a minha comitiva que lotou a sua sala, Lula bateu o olho em Lucimar e desatou a perguntar de onde ela tinha vindo (Maranhão), como era lá, como ela está aqui, se está feliz… esse tipo de coisa. Enfim, depois que Lucimar estava íntima dele, Lula se virou para me dar atenção e se prontificou a me ouvir.
Comecei assim:
– Presidente, primeira coisa gostaria de agradecer esse tempo que você me disponibilizou. Sou uma figura que se tornou conhecida nas redes sociais e quando disse que viria te ver, recebi mensagens do Brasil inteiro e recados para te dar. Mas trarei o principal antes de entrar no motivo pelo qual estou aqui. Você precisa se cuidar, estamos preocupados com sua saúde. Tem se cuidado, presidente? Está se alimentando direito?
A seguir, entrei na minha vida propriamente dita e falei um punhado de coisas terminando com a possibilidade de eu me candidatar e me filiar ao PT ou continuar seguindo em frente com a minha vida de professora somente.
Hora de ouvi-lo:
– Elika, primeiro. Uma “vida de professora” já é algo extremamente grandioso. Você é uma figura adorável. Não é sem motivo que muitos te amam. Eu, companheira, te digo que a sua filiação pode te trazer muita dor de cabeça. As pessoas vão passar a te odiar como muitos me odeiam. Lidar com o ódio é algo que você não merece. Eu adoraria ter você com a gente, mas penso muito nas pessoas antes de mim. E olhando para você não tem como não te alertar sobre o quanto você pode perder por se filiar ao PT que está sofrendo ataques de todos os lados.
A Ana Júlia, – continuou Lula – aquela menina linda, esteve aqui e eu disse que antes de ela pensar em filiação deveria pensar no Enem, ler mais sobre tudo, viver outras coisas.
– Lula, eu não sou mais adolescente… e já li muito… – interrompi o presidente.
– Eu sei, companheira. Mas no seu caso, eu fico olhando para o que você faz e fico pensando em você. Uma candidatura pode te trazer muita dor de cabeça que hoje você não tem. Uma coisa é as pessoas dizerem que te amam. Outra é elas votarem em você. E, se você entrar para o PT, muitos dos que te seguem vão parar de te seguir. Estou pensando em seu futuro, Elika. É claro que bom para mim seria ter você aqui com a gente. Mas e você? Você perguntou da minha saúde. E a sua?
– Lula, veja bem. Eu já sou xingada por muitos. Lidar com o ódio para mim não é problema. As pessoas me xingam, mas eu não me ofendo. Tenho pena de quem faz isso e sinto vontade de conversar com quem não consegue dar amor porque sei que lhe falta. A gente dá o que recebe.
Eu não aguento mais ver a educação pública ser sucateada. – continuei – Devo meu doutorado a você. O CEFET permitiu que eu reduzisse a minha carga para estudar. Investiu em minha formação.
Nesse momento, Lula me entrevistou. Quis saber como andava o CEFET.
– Nossos laboratórios estão super atualizados. Hoje há cotistas formados e já trabalhando. Tenho dado palestras em todo o Brasil. Em cada Instituto Federal que visito é uma surpresa pelas instalações e pela qualidade do corpo docente. Isso tudo foi pelo seu governo. Agora, estamos com a corda no pescoço. Não temos mais verbas para nada. Sou, além de professora, coordenadora de física e faço parte do conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão. As reuniões de orçamento das quais participo estão desesperadoras.
A Reforma do Ensino Médio está vindo a galope. – segui falando angustiada – A escola pública está sofrendo o maior golpe nunca dantes já visto na história do Brasil. Eu não aguento mais ver isso calada e, se houver algo que eu possa efetivamente fazer, eu quero fazer.
Acredito na bandeira do PT,Lula. – continuei -. Não tem partido que mais fez pelo Brasil e pelo povo que esse. Sei que houve erros crassos cometidos. Mas sei que a imagem do PT foi enlameada injustamente por essa corja que tomou o poder e que está acabando com a educação pública. O discurso de ódio aos petistas não se justifica a não ser por uma lavagem cerebral cometida pela grande mídia incentivado por uma elite que quer que o povo se exploda.
Eu sou essa fofura mesmo que você está vendo. – falei sem modéstia – E sei que precisamos renovar a política. Acredito que posso mostrar o quão injusto é esse discurso de ódio. E o que me tem feito mal é ver as escolas sendo sucateadas por essa quadrilha.
Acha mesmo que é melhor eu ficar longe, presidente? – perguntei com um nó na garganta.
– Elika, querida, você não é fácil. Não ouve os mais velhos… sempre foi assim?
Balancei a cabeça positivamente.
– Está triste mesmo tudo isso. Não é difícil fazer esse país dar certo. Basta dar o poder aos pobres, companheira. E é aí que muitos não aceitam. As pessoas me perguntam se pretendo voltar e se quero voltar. Vou te dizer, Elika. Eu queria muito voltar, não sei se vão me deixar. Queria só para mostrar que não é difícil fazer as coisas acontecerem. Me acusam de assistencialista. Mas eu acho que só há uma saída mesmo: dar poder para a classe mais sofrida. E por isso eu pretendo continuar lutando.
Pois a minha vontade, querida, – disse Lula olhando no branco dos meus olhos – é fazer um evento solene com sua chegada. É pedir para que me tragam o documento agora para você ser nossa. Qualquer político sonharia com seu apoio. Queria fazer uma festa com bumbo, surdo, samba para te receber. Mas, tenho medo. Tem certeza que está preparada para uma filiação e entrar para a política de alguma forma?
– Lula, estou aqui pronta. O que falta para você me estender a sua mão, presidente?
Ele a pegou, puxou, e me deu um forte abraço e boas vindas.
Depois de todos os trâmites explicados e marcada uma nova data para um novo encontro onde ele disse que faz questão de estar presente quando eu me filiar no Rio de Janeiro ao Partido dos Trabalhadores para colocar, efetivamente, de um jeito ou de outro, a mão na massa para tentar reverter esse massacre que estão fazendo com as nossas escolas públicas, aí sim, depois de tudo isso, vieram a sessão de fotos para registrar esse grande encontro e a entrega de livros que lhe levei de presente e uma belíssima tela pintada pelo artista Sergio Ricciuto.
Foi isso que aconteceu resumidamente. Em breve, oficialmente, serei uma petista. Estou bem certa desse passo. Para quem tem ódio ao PT, sinto muito, que vocês não consigam entender que entre o branco e o preto há infinitas graduações de cinza. O mundo, fiquem sabendo, não é dicotômico como mostram as novelas. Não existe somente o bem e o mal. E há, podem acreditar, os que tentam com toda a força melhorar o nosso país para os mais necessitados. Mas esses, não são super heróis. São seres humanos comuns plenos de toda a complexidade que qualquer universo possui.
Para finalizar, Yuki estava preocupado que havia perdido aula hoje para vir até São Paulo. Quando Lula foi brincar com ele um pouco ele disse:
– Estava angustiado porque perdi aula e prova hoje. Mas tive a maior aula de história da minha vida! Obrigado.
Fofo meu filho…
Enfim, estou mega feliz por esse encontro e por ter conseguido apresentar meus filhos ao homem que tirou o Brasil do mapa da fome e deu a oportunidade para muitos brasileiros – que nem sonhavam que isso seria possível – de estudar. Seguirei agora, ao seu lado e com seu apoio, lutando pela educação de qualidade para todos.
Animada com tudo o que tenho que viver pela frente.

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Mais um governador do PSDB na berlinda

Blog do Miro Borges

Mais um governador do PSDB na berlinda

Por Altamiro Borges

O PSDB está se desintegrando. Após a decisão de manter o apoio ao quadrilheiro Michel Temer para salvar a carreira de Aécio Neves, figuras históricas da legenda – como o jurista Miguel Reale Júnior e o empresário Ricardo Semler – pediram sua desfiliação. Deputados da chamada “ala jovem” também ameaçam debandar. O clima é tão depressivo que o grão-tucano FHC entrou em parafuso e até parece que está gagá – conforme já havia alertado o sumido José Serra. A cada dia, ele dá uma declaração. Até o início desta semana, ele defendia se manter na “pinguela” do covil golpista; agora, ele já prega a renúncia do Judas. Para piorar, novas denúncias infernizam a vida do PSDB. Nesta sexta-feira (16), a Folha noticiou que o vazamento de um grampo coloca sob suspeita o governador do Mato Grosso.

Segundo a reportagem de Pablo Rodrigo, “as suspeitas de que o governador Pedro Taques (PSDB) tenha se beneficiado de caixa dois na eleição de 2014 e de supostas interceptações telefônicas clandestinas para monitorar rivais colocam mais uma vez um ocupante do Palácio Paiaguás, sede do governo de Mato Grosso, nos holofotes de investigações... Taques foi eleito ainda no primeiro turno, ancorado na carreira de procurador da República. Em maio de 2016, viu o Gaeco (Grupo de Atuação e Combate ao Crime Organizado), do Ministério Público, deflagrar a Operação Rêmora contra fraudes em processos licitatórios na Secretaria da Educação. As investigações apontaram que o suposto esquema começou em 2015 e envolvia ao menos 23 obras em escolas, com valores totais que ultrapassam R$ 56 milhões”.

De acordo com o empresário Alan Malouf, preso em dezembro, o objetivo do esquema era quitar as dívidas não declaradas da campanha eleitoral de 2014. Além do caixa 2, o governador foi atingido pela revelação da existência de uma central clandestina de interceptações telefônicas no comando da Polícia Militar. Uma deputada da oposição – Janaina Riva (PMDB) –, jornalistas e servidores foram inseridos ilegalmente num pedido de quebra de sigilo para investigar traficantes. Caso as denúncias se confirmem, o governador tucano poderá sofrer processo de impeachment e ter o mesmo fim do seu antecessor – Silval Barbosa (PMDB) –, que foi preso em setembro de 2015. Blairo Maggi (PP), que também governou o Estado e hoje é ministro da Agricultura do covil golpista, também está enrolado em processos. Ele foi acusado de ter participado de esquema de compra de vagas no Tribunal de Contas e recentemente teve o seu nome citado na Operação Lava Jato.

Estes e outros fatos, que desmascaram os falsos moralistas do PSDB, explicam porque a situação da legenda é dramática. Em entrevista à revista Época nesta semana, um dos ideólogos da sigla, o “cientista político” Bolívar Lamounier, confirmou que “o eleitor tucano está indignado”. Para ele, a legenda deu um tiro no pé ao continuar no covil de Michel Temer. “O PSDB acabou se tornando fiador e avalista de um governo que já sofre acusações graves e que poderá sofrer outras mais ainda. Então ele fica adiando: ‘Vamos ver se aparece alguma outra coisa mais grave e aí então tomamos outra decisão’. Isso não é um comportamento partidário coerente no meu entender. Ao decidir ficar e examinar o assunto outra vez mais adiante, acabou reforçando esse aspecto antipático que atribuem ao partido, que é o Hamlet em cima do muro. O PSDB vira o PHB, o Partido Hamletiano do Brasil”.

“Tenho certeza de que isso vai comprometer o PSDB no futuro. Foi uma posição equivocada. O eleitor tucano está indignado, nas redes sociais, com essa atitude e essa participação neste governo. E eu iria até mais longe. Veja o que aconteceu na França na eleição legislativa. O voto antiestablishment foi arrasador. O Emmanuel Macron [presidente da França] praticamente destruiu o sistema partidário da França, porque ele captou esse sentimento da opinião pública que é contra a corrupção e é contra a política envelhecida. O PSDB já está sendo visto como política envelhecida. Essa decisão de agora reforçou a imagem. É provável que o voto antiestablishment também ocorra aqui no Brasil. Não sei se na escala da França, mas certamente vai ocorrer aqui também. E vai atingir o PSDB, o PMDB e outros partidos”.

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Trump cancela parte de acordo com Cuba

Blog do Miro Borges

Trump cancela parte de acordo com Cuba

Do site Opera Mundi:

O presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou nesta sexta-feira (16/06) o “cancelamento” do acordo firmado pelo ex-presidente Barack Obama com Cuba. Apesar de dizer que estaria descartando todo o pacto, a anulação é apenas parcial.

As mudanças divulgadas pela Casa Branca incluem a proibição das viagens individuais para fazer contatos com o povo cubano, conhecidos em inglês como "people to people travel", e a possibilidade de auditoria a todos os americanos que visitem Cuba para comprovar que não violam as sanções dos EUA. "Implementaremos a proibição do turismo, e implementaremos o embargo", disse.

Trump anunciou ainda que se "restringirá muito robustamente o fluxo de dólares americanos aos serviços militares, de segurança e de inteligência" da ilha, e que dará "passos concretos para assegurar-se que os investimentos" de empresas americanas "fluem diretamente ao povo".

O cancelamento é parcial porque, por exemplo, a recém-aberta embaixada em Havana não será fechada. "A nossa embaixada permanece aberta com a esperança que os nossos países possam forjar um caminho muito melhor", afirmou o presidente norte-americano.

Bloqueio econômico

A mudança de política inclui o apoio pessoal de Trump ao embargo comercial e financeiro norte-americano à ilha e a oposição aos pedidos internacionais para que o Congresso derrube o bloqueio.

"A política reafirma o embargo americano imposto por lei a Cuba e se opõe aos pedidos nas Nações Unidas e outros foros internacionais para acabar com ele", disse Casa Branca em um comunicado, enquanto Trump anunciava a mudança de política em um teatro de Little Havana, em Miami.

A suspensão do bloqueio econômico é algo que só pode ser decidido pelo Congresso dos EUA, controlado agora pelos republicanos na Câmara e no Senado. "Faremos com que o embargo seja cumprido", disse Trump.

“Acordo melhor”

O presidente norte-americano se disse disposto a negociar o que chamou de “acordo melhor” com Havana, mas apenas se houver avanços "concretos" para a realização de "eleições livres" e a liberdade do que ele classificou como "prisioneiros políticos".

"Não suspenderemos as sanções a Cuba até que todos os prisioneiros políticos sejam livres, todos os partidos políticos estejam legalizados e sejam programadas eleições livres e supervisionadas internacionalmente", disse.

Trump também desafiou Havana "a comparecer à mesa [de negociação] com um novo acordo que esteja no melhor interesse tanto do seu povo como do norte-americano".

O mandatário disse, no entanto, que "qualquer mudança" à sua postura com Cuba dependerá de "avanços concretos" rumo a objetivos como as “eleições livres”, a liberdade de “presos políticos” e a entrega à Justiça norte-americana de "criminosos e fugitivos" que encontraram refúgio na ilha.

"Quando os cubanos derem passos concretos, estaremos prontos, preparados e capazes de voltar à mesa para negociar esse acordo, que será muito melhor", disse.

O que diz a norma assinada por Trump?

- Aumenta as restrições de viagem para recrudescer a proibição de turismo dos EUA a Cuba;

- Reafirma o bloqueio econômico;

- Se opõe a convocatórias na ONU e em outros foros internacionais que apoiam Cuba e pedem o fim do bloqueio;

- Viagens com fins educativos não acadêmicos serão limitadas e acontecerão somente em grupo;

- Fica proibida a viagem individual liberada por Obama;

- Os cubano-americanos poderão continuar visitando Cuba e enviando recursos;

- Impede atividades econômicas com empresas vinculadas às Forças Armadas Revolucionárias de Cuba;

- Restringe as possibilidades de negócios com as empresas públicas de Cuba;

- Não restabelece a política de “pés secos – pés molhados”, que permitia que a cubanos sem documentos ficar nos EUA.

Diretas-Já reuniu 40 mil em Belo Horizonte

Blog do Miro Borges

Diretas-Já reuniu 40 mil em Belo Horizonte

Da Rede Brasil Atual:



Na noite desta sexta-feira (16), milhares de pessoas se reuniram na Praça da Estação, região central de Belo Horizonte, para pedir a saída de Michel Temer e Diretas Já para a escolha de um novo presidente.

O ato foi organizado pelas frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo, e pela União Nacional dos Estudantes (Une). Outras manifestações já aconteceram em capitais como São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador e Porto Alegre. Segundo organizadores, 40 mil pessoas estiveram no ato-evento. Entre os artistas presentes no evento estavam Fernanda Takai, vocalista do grupo Pato Fu, e nomes como Chico Amaral, Juarez Moreira, Érika Machado, Titane, Sérgio Pererê, Afonsinho, Aline Calixto, Maurício Tizumba, entre outros.

Em discurso durante a manifestação, o líder do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), Guilherme Boulos, ressaltou que a eventual queda de Temer, no atual cenário, não é suficiente. "O Fora Temer só não basta. Porque tem gente que está até aceitando tirar o Temer, mas para o Congresso Nacional decidir quem vai ser o presidente do Brasil. A gente não aceita. Nós temos hoje, com algumas honradas exceções, o Congresso mais desmoralizado e sem autoridade da história desse país. Não tem condição de aprovar nada, quanto mais eleger quem vai ser o presidente do Brasil."

Boulos alertou ainda para a necessidade de se manter a mobilização contra as reformas que tramitam no Congresso Nacional. "As Diretas precisam ser uma bandeira nossa que venha junto com os direitos. É Diretas e barrar a reforma da Previdência; é Diretas e barrar a reforma trabalhista, essa é a agenda que a gente tem que garantir, e é só na rua que vamos conseguir transformar isso em realidade."

Também presente no evento, o ex-ministro Ciro Gomes também chamou as pessoas a participarem das manifestações. "A tragédia que se abate sobre o povo brasileiro na democracia, na economia, no drama social de 14,3 milhões de desempregados, 10 milhões de brasileiros empurrados para a informalidade, reprimidos, e desorganizando a vida, encontram na política nesse momento o vexame, a roubalheira e a impunidade. Só com um milagre é possível mudar esse caminho de tragédia que ainda vai pesar muito sobre todos nós", disse.

"Só há um caminho e esse caminho não está na mão dos políticos nesse momento. A política precisa ser feita, mas a política nesse instante precisa, e precisa desesperadamente, que o povo brasileiro, seus trabalhadores, seus sindicatos, suas comunidades, associações, os estudantes e a juventude ocupem a rua, esquentem o protesto e digam à Brasília: chega, não aguentamos mais! Chega, nenhum direito a menos! Chega, o golpe já passou de qualquer limite! O povo brasileiro precisa mais do que nunca da sua unidade e ocupar a rua de forma quente", conclamou Ciro.

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A conversão privata às eleições diretas pode ser ardil contra Lula


BLOG Na Ilharga

A conversão privata às eleições diretas pode ser ardil contra Lula


O PT deve pensar direitinho nas consequências dessa aproximação com os tucanos, depois que esses converteram-se bruscamente à defesa de eleições diretas, já que até recentemente o decrépito FHC considerava tal possibilidade golpe.

O PSDB vive o desgaste do desnudamento de sua posição de vestal, esta construída pela mídia comparsa e movida a peso de muito ouro, daí precisar de fato positivo e sabe que mais de 80% da população brasileira quer votar o mais rápido possível pra escolher um presidente legítimo para o país, ao mesmo tempo que quer mandar Temer para a cadeia.

Diante disso, o mínimo que se pode esperar da privataria é a proposição de um pacto por pleito direto onde o PT comprometa-se a evitar que Lula seja seu candidato, em nome de uma disputa marcada pela renovação das lideranças, seja lá o que isto signifique, com a disputa entre nomes imberbes nessa.

Claro que o PT não deve aceitar uma sandice dessa natureza, o que forçará o PSDB a retirar-se do tal pacto, não sem antes acusar o PT de usar o povo brasileiro pra manter o país sob o império da corrupção e perpetuação de Lula no poder.

Depois disso, defenderá a solução constituciona vigentel, talvez com a presença da presidente do STF, Carmen Lúcia, respondendo pelo Poder Executivo do país até que um novo presidente seja eleito diretamente, em 2018.

Não sei se o enredo segue necessariamente esse caminho. Porém, penso que não está muito distante disso e o PSDB jamais passaria por conversão  tão sumária. Além do jogo pra arquibancada, certamente isto visa evitar eventual debandada, só na Câmara Federal há o riso de cerca de dez tucanos debandarem em razão do apoio a Temer.

Nada mais oportuno para o momento do que a manutenção da agenda de eventos públicos como forma de resgatar a democracia e a vontade soberana do povo brasileiro. Com efeito, não dá para inserir um contrabando do tipo 'Tancredo já!' na agenda das 'Diretas já!' justamente no momento em que o resgate da soberania popular recrudesce e enxota golpista para longe, mais precisamente para o xadrez.

Independente de arrependimentos, de conversões e de buscas por panacéias purgativas o Brasil precisa urgentemente encerrar esse breve ciclo de banditismo na medida em que, se foi breve no tempo, causou estragos ao país que demandarão muito tempo para superá-los.

Direita já admite a vitória de Lula

Blog do Altamiro Borges

Direita já admite a vitória de Lula

Por Eduardo Guimarães, no Blog da Cidadania:



Fernando Henrique Cardoso tem tido que rebolar no posicionamento em relação à permanência ou não de seu partido no governo Temer e na forma de eleger um novo presidente se o cargo ficar vago.

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso mudou novamente de posição. Segundo o portal G1, no mês passado o ex-presidente defendia a eleição indireta para eleger novo presidente da República caso de Michel Temer perca o cargo ou renuncie. Agora, o mesmo G1 dá conta de que o tucano mudou de ideia

Para analistas políticos insuspeitos de ser petistas, FHC está querendo ajudar Lula quando (segundo dizem) passa a pregar eleição direta para presidente. Note bem, leitor, que não estamos falando de blogueiros “petralhas” como este que escreve, mas de analistas comprometidos com o extermínio de Lula e de seu partido.

O caso mais claro é o de Janaína Paschoal, a “musa” do impeachment de Dilma Rousseff, a advogada que ingressou com o pedido de destituição da ex-presidente. Antes de chegar a ela, porém, vale verificar o que motivou o reconhecimento de sua parte de que Lula venceria uma eleição direta para presidente se ocorresse neste momento.

Na última quinta-feira (15), FHC emitiu nota na qual não fica claro esse apoio a eleições diretas, mas os intérpretes do tucano acreditam que ele fala pelas entrelinhas. Vejamos o que ele escreveu:

Leia a íntegra da nota de Fernando Henrique Cardoso:

“A conjuntura política do Brasil tem sofrido abalos fortes e minha percepção também. Se eu me pusesse na posição de presidente e olhasse em volta reconheceria que estamos vivendo uma quase anomia. Falta o que os políticólogos chamam de ‘legitimidade’, ou seja, reconhecendo que a autoridade é legítima consentir em obedecer.

A ordem vigente é legal e constitucional (daí o ter mencionado como “golpe” uma antecipação eleitoral) mas não havendo aceitação generalizada de sua validade, ou há um gesto de grandeza por parte de quem legalmente detém o poder pedindo antecipação de eleições gerais, ou o poder se erode de tal forma que as ruas pedirão a ruptura da regra vigente exigindo antecipação do voto.

É diante desta perspectiva que os partidos, pensando no Brasil, nas suas chances econômicas e nos 14 milhões de desempregados, devem decidir o que fazer.

A chance e a cautela a que me refiro derivam de minha percepção da gravidade da situação. Ou se pensa nos passos seguintes em termos nacionais e não partidários nem personalistas ou iremos às cegas para o desconhecido.

A responsabilidade maior é a do Presidente que decidirá se ainda tem forças para resistir e atuar em prol do país.

Se tudo continuar como está com a desconstrução continua da autoridade, pior ainda se houver tentativas de embaraçar as investigações em curso, não vejo mais como o Psdb possa continuar no governo.

Preferiria atravessar a pinguela, mas se ela continuar quebrando será melhor atravessar o rio a nado e devolver a legitimação da ordem à soberania popular.

É este o sentimento que motiva minhas tentativas de entender o que acontece e de agir apropriadamente, embora nem sempre no calor dos embates diários e de declarações dadas às pressas tenha sido claro nem sem hesitações.”


O jornalista Paulo Henrique Amorim tem uma frase excelente para definir os textos de FHC. Eles seriam “gordurosos”, cheios de partes dispensáveis. O fato é que ao falar nas entrelinhas e não se comprometer nunca com nada ele demonstra um caráter que todos bem conhecemos.

Seja como for, FHC citar “devolver a legitimação da ordem à soberania popular” quer dizer devolver ao povo o direito de escolher seus governantes. Nessa frase, FHC reconhece o golpe ao dizer que foi tirado do povo o direito de ser governado por quem escolheu.

Alguns diriam que essa frase reconhece o golpe contra Dilma…

Seja como for, a mera ocorrência de eleições diretas para presidente está sendo vista por ultrarreacionários do calibre de uma Janaína Paschoal como vitória de Lula. Pelo Twitter, ela diz que FHC “trabalhou por Lula” ao pregar diretas.



Em seguida, a mídia tucana passa a interpretar a fala de Janaína e a confessar a real causa da rejeição da direita à realização de eleições diretas. O colunista da Folha de São Paulo Bernardo de Mello Franco escancara a razão pela qual a mídia e os partidos de direita (PSDB à frente) temem as diretas – e a razão está longe de ser a Constituição, como alegam.


Diz Mello Franco:

“(…) O texto de FHC é importante porque quebra um tabu. Desde o agravamento da crise, políticos, empresários e personalidades que apoiaram o impeachment rejeitam a ideia de novas eleições. A justificativa mais usada é que isso abriria caminho ao retorno de Lula pelo voto popular.

Para evitar uma volta do PT, seria preferível tapar o nariz e apoiar uma eleição indireta ou a permanência de Temer até 2018. O discurso ignora o alto índice de rejeição ao ex-presidente, mas tem ajudado a bloquear um debate que incomoda o governo.

Nesta quinta, a professora Janaina Paschoal reforçou a pregação contra as diretas. “Viram FHC trabalhando por Lula de novo?”, perguntou, no Twitter, após recomendar uma receita de strudel. Parece um bom momento para o eleitor do PSDB refletir: é melhor ouvir o ex-presidente ou repetir as teses da doutora?”


Janaína pode ter razão. FHC, esperto como é, pode estar se rendendo ao fato de que a candidatura Lula já é inevitável e conta com chances cada vez mais fortes de vingar.

Nesse aspecto, surpreende a menção do analista da Folha ao “alto índice de rejeição ao ex-presidente” Lula. Como pode um analista político tão importante não saber que a rejeição a Lula vem caindo mês a mês desde sua condução coercitiva em 4 de março de 2016?

Até o Estadão reconhece:

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Temer renunciará ou será 'renunciado'?



Blog do Miro Borges

Temer renunciará ou será 'renunciado'?

Por Antônio Augusto de Queiroz, no site do Diap:

A situação do presidente Michel Temer está ficando de tal modo insustentável que, ou ele renuncia por vontade própria ou será “renunciado” no sentido de que o Congresso irá conduzir as ações do governo ou será forçado a renunciar por pressão da sociedade, do mercado e da mídia. Nem mesmo a absolvição no processo de cassação da chapa pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) conseguiu aliviar ou distensionar o ambiente político.

Vamos às causas. Duas dimensões foram determinantes para o afastamento da presidente Dilma e a assunção e efetivação de Michel Temer na Presidência da República: a ético-moral e a econômico-fiscal.

A primeira, pelo menos do ponto de vista da mobilização popular, foi a que motivou o apoio ao processo de impeachment da ex-presidente Dilma. Esse foi o pretexto utilizado: 1) pelos veículos de comunicação para denunciar, 2) pela população para se mobilizar, e 3) pelo Congresso para afastá-la da Presidência da República.

A segunda, essa restrita ao interesse do mercado e seus defensores, foi a que motivou o setor empresarial e alguns órgãos de fiscalização e controle do Estado a apoiar a derrubada da presidente, que era vista como intervencionista na economia, especialmente nos marcos regulatórios de infraestrutura, e também como supostamente irresponsável do ponto de vista fiscal, por ter feito “pedaladas” e ampliado o gasto público, principalmente na área social.

O presidente Temer, ao montar seu governo, priorizou a dimensão econômico-fiscal, propondo uma agenda de reformas e formando uma equipe econômica do agrado do mercado, mas negligenciou o aspecto ético-moral.

Ora, um governante que sucede alguém destituído sob o fundamento de praticar ou permitir desvio de conduta, não pode, em hipótese alguma, deixar margem para qualquer questionamento nesse campo, sob pena de igualmente ser afastado de suas funções pelos mesmos motivos.

A explicação para tanto é simples. Se parcela expressiva da sociedade apoiou o processo de impeachment de Dilma por suposta degradação ético-moral de seu governo, por que razão iria ser indiferente às mesmas práticas pelo governo Temer? Quem militou a favor do afastamento da presidente anterior teria, por uma questão de coerência e até com mais razão, também que militar a favor do afastamento de seu sucessor, se este fosse acusado, como de fato vem sendo - e com provas irrefutáveis -, das mesmas práticas de sua antecessora.

A prova de que o governo Temer padece de acusações, e até mais graves do que aquelas feitas à ex-presidente, está no fato de que ele levou para sua assessoria amigos e conselheiros que estavam ou estão associados, por iniciativa própria ou a serviço do presidente, a denúncias por prática de irregularidades.

Entre estes colaboradores, formais ou informais, pode-se mencionar: os ex-deputados Eduardo Cunha, Henrique Eduardo Alves, Geddel Vieira Lima, Rodrigo Rocha Loures, Tadeu Filipelli, Moreira Franco, Eliseu Padilha, José Yunes, além do coronel João Batista Lima Filho.

A foto exibida na edição de 7 de junho de 2017 no Jornal Nacional da Rede Globo, quando o então vice-presidente Michel Temer e seus auxiliares e aliados diretos assistiam à votação do processo de impeachment da Dilma, foi devastadora porque a quase totalidade dos presentes ou já foram presos ou estão respondendo a denúncia de desvio de conduta.

Se esse fato, por si só, já seria desabonador, o aparecimento de outros, como a delação dos irmãos Batista, do grupo JBS; a provável denúncia do Ministério Público contra o presidente; e as possíveis delações do doleiro Lúcio Funaro e de Rocha Loures, comprometem ainda mais a credibilidade do governo.

Registre-se que a delação da JBS, além de ter levado à prisão de um dos principais auxiliares do presidente Temer, de sua “mais estrita confiança”, como ele mesmo declarou, resultou na divulgação de áudios com diálogos comprometedores envolvendo o próprio presidente, cuja repercussão foi demolidora para o governo.

Além disso, uma denúncia ou pedido de abertura de processo contra o presidente pelo Ministério Público é tida como certa, e isso terá uma repercussão extremamente negativa, a ponto de levar ao afastamento de vários partidos da base do governo, a começar pelo principal deles, o PSDB.

Por fim, uma possível delação do doleiro, operador de figuras importantes do PMDB, como o ex-deputado Eduardo Cunha, e de Rocha Loures, homem “da mais estrita confiança” do presidente, filmado recebendo e carregando uma mala de dinheiro, não deixará pedra sobre pedra.

Não bastasse tudo isso, o governo ainda é acusado de manobrar para blindar ou dar foro privilegiado a aliados enrolados, como Moreira Franco e Rocha Loures, e de fazer concessões exageradas a uma base fisiológica em troca do apoio às reformas e à rejeição a pedido de impeachment ou do Ministério Público para cassar ou processar o Presidente. Para isso, tem até mesmo passado por cima da Constituição, reeditando medidas provisórias com grave desvio de finalidade.

Aliás, o governo do presidente Temer só não caiu ainda porque conta com uma base política forte, cujo principal sustentáculo é o PSDB, e porque o mercado: 1) espera a aprovação da reforma trabalhista, e 2) ainda não achou um nome para sucedê-lo em eleição indireta que reúna as seguintes condições: i) tenha votos no Congresso para se eleger, ii) mantenha a equipe econômica, iii) defenda a agenda de reformas, especialmente a reforma da previdência, iv) não seja investigado ou responda processo no âmbito da Lava-Jato, e v) tenha maturidade e equilíbrio emocional para exercer, nesse momento de crise, as funções de Líder da Nação, Chefe de Estado e Chefe de Governo.

Portanto, mesmo saindo vitorioso no TSE, a continuidade do governo Temer depende de uma série de variáveis de difícil controle, entre as quais: 1) da não saída do PSDB da base; 2) da continuidade das reformas; 3) da não-denúncia do Ministério Público; 4) da não-delação de Rocha Loures e de Lúcio Funaro; 5) de baixa pressão popular; e 6) da ausência de consenso sobre um nome para sucedê-lo em eleição indireta.

Com tantos problemas, se conseguir terminar o mandato é porque Michel Temer foi “renunciado”, ou seja, entregou a administração do País à equipe econômica e pagou o preço cobrado pelos partidos de sua base no Congresso não mais para aprovar reformas, mas para evitar a autorização para abertura de processo no Supremo Tribunal Federal ou para evitar a abertura de processo de impeachment. É esta a situação do presidente Temer!

sábado, 10 de junho de 2017

Rua, voto e politização do desenvolvimento

Blog do Altamiro Borges

Rua, voto e politização do desenvolvimento

Por Saul Leblon, no site Carta Maior:

O país é melhor do que a matilha que o tomou de assalto e mastiga seu futuro e sua esperança pelo pescoço.

A equação do desenvolvimento é mais diversa, mais flexível e por certo mais criativa do que querem nos fazer convencer o dinheiro, sua bancada e seus jornalistas, que reputam aos direitos sociais a condição de um atentado aos mercados.

O ultimato conservador teme a amplitude da história que pulsa na luta pelo desenvolvimento justo com soberania, que já produziu um Tiradentes, um Prestes, um Getúlio, um Juscelino, um Vargas, um Lula, um Boulos – ‘é preciso detê-los.

A concordata de direitos sociais por vinte anos, conforme a PEC do Teto, ou para sempre –como aspiram as reformas na Previdência e CLT, omite alternativas fiscais ecumênicas sequer toleradas como hipótese de reflexão pela mídia conservadora.

Há múltiplos de dezenas de bilhões de reais celibatários a perambular por uma economia dissociada de um direcionamento virtuoso. Eles poderiam gerar riquezas das quais a sociedade carece, a partir de uma repactuação democrática do desenvolvimento e da equação tributária que ele requer.

Estudos do Senado brasileiro mostram que em 2016, R$ 334 bilhões em lucros e dividendos foram apropriados por pessoas físicas que integram os mais ricos segmentos da renda.

Sem qualquer tributação.

O governo do PSDB isentou esses ganhos em 1995 que assim permaneceram no ciclo de governos do PT.
A simples revogação dessa medida, com a volta da tributação dos mesmos 15%, injetaria R$ 60 bilhões por ano aos cofres públicos.

É significativo diante do arrocho fiscal que as garrafais da mídia alardeiam como tragédia inarredável.

Estudos do BNDES divulgados pelo jornal Valor mostram que o déficit metroviário brasileiro hoje é de cerca de 1.200 km.

Toda a malha disponível limita-se a 300 km.

É a metade da existente na cidade de Xangai, por exemplo: 600 kms de metrô construídos em apenas duas décadas.

Superar esse hiato propiciaria um salto de mobilidade com efeitos sensíveis na qualidade de vida das grandes concentrações urbanas.

Milhões de trabalhadores tem como uma de suas maiores aspirações atualmente dormir algumas horas a mais por semana.

Construir 1.200 kms de metrô custaria cerca de R$ 167 bilhões, segundo a CNT: menos de três anos da receita arrecadável com a volta do imposto de 15% sobre lucros e dividendos.

Quatro anos seguidos desse imposto permitiria adicionar à expansão metroviária um complemento de corredores expressos de ônibus e linhas de VLTs (veículos leves sobre trilhos).

O conjunto reduziria substancialmente os gargalos existentes e preveniria outros novos nos fluxos metropolitanos onde reside a maioria da população brasileira.

Matrizes equivalentes de receitas vinculadas à superação de colapsos paralisantes tem condições de serem construídas em um debate democrático sobre a repactuação tributária do desenvolvimento.
A volta da CPMF com destinação exclusiva à saúde é a ilustração mais conhecida.

Extinta em 2007 pelo Congresso, uma represália do PSDB à reeleição de Lula em 2006, sua retomada com alíquota de 0,38%, como já se cogitou, propiciaria à rede pública investimentos adicionais da ordem de R$ 65 bilhões por ano.

O Conselho Federal de Medicina calcula que as esferas federal, estaduais e municipais aplicaram em 2014 cerca de R$ 1.400,00 per capita em cuidados com a saúde de 204 milhões de brasileiros
O valor está 70% abaixo do padrão em países desenvolvidos.

Recursos públicos à saúde sofreram uma redução de 0,93% no Brasil entre 2013 e 2014.
Atingiram um total de R$ 290,3 bilhões.

Sobre esse piso insuficiente pretende-se agora aplicar um teto de gastos que vai congelar o seu valor em termos reais por vinte anos.

Com uma contribuição de R$ 0,38 centavos em um cheque de R$ 100 reais, ou R$ 3,80 em um de R$ 1000,00, para delimitar dois parâmetros da movimentação dominante, o subfinanciamento atual seria revertido por um investimento adicional de 20% no volume de recursos ao SUS.

Educação, pesquisa e tecnologia – essenciais à musculatura de um ciclo sustentável de crescimento—tem igualmente de opções de oxigênio extra.

A riqueza financeira que perambula pela economia pode e deve ser induzida por um sistema de contrapesos, como a redução de juros, para devolve-la ao leito produtivo, multiplicar investimentos, empregos, renda e geração de impostos.

Não é pouco o que se tem empoçado na roleta rentista.

O Brasil gastou no ano passado cerca de 7% do PIB no pagamento de juros da dívida pública.

Trata-se da 4ª maior carga de riqueza nessa destinação em uma lista de 183 países, segundo informa Mark Weisbrot , do Centro de Pesquisa Econômica e Política, de Washington (Folha 06/06/2017).

A taxa básica de juro foi reduzida para 10,25% este ano.

Mas o custo real do dinheiro persiste em 6%.

A recessão derrubou os preços, mas o governo preserva juros reais discrepantes num mundo de taxas negativas ou próximas disso.

Não há explicação técnica para a ‘singularidade brasileira’.

A atividade econômica transita no plano inclinado desde a reeleição da Presidenta Dilma, em 2014.
Elite e empresariado deflagraram então uma espécie de greve branca do capital congelando investimentos e demitindo trabalhadores.

A produção convive com níveis de ociosidade de até 50%, como no caso das fábricas de caminhões.
O consumo das famílias retrocede há nove trimestres seguidos, contabiliza o IBGE.

O investimento em capacidade nova, a formação Bruta de Capital Fixo, exibe o menor nível em 15 anos.
A absorção de mão de obra –formal e informal— encontra-se no patamar mais baixo em 25 anos.
Desde o 2º trimestre de 2014, o PIB sofreu um tombo de 8%.

Por que essa locomotiva desprovida de vapor precisaria esfriar ainda mais sua caldeira com juros seis pontos acima da inflação?

A ascendência rentista no Estado brasileiro, magnificada desde o ciclo de governos do PSD, corrói a atividade produtiva colhendo a redução correspondente da receita tributária
Hoje a carga fiscal brasileira é inferior a 33% do PIB --contra quase 35% em 2008.

Estimativas de especialistas do IBRE ao jornal Valor Econômico desmentem a tese dos ‘patos’ da Fiesp, que opõem o investimento ao ‘impostômetro’ e clamam pelo ‘Estado mínimo’.

É um esbulho da realidade.

A participação declinante da manufatura brasileira no PIB e no consumo, associada à anemia do investimento industrial, é obra suprapartidária.

A valorização persistente do câmbio desde os anos 90, combinada a uma abertura comercial desastrada nos governos do PSDB, barateou a importação e reservou ao capital fabril local a boia confortável da ciranda rentista.

A desculpa do impostômetro é uma impostura.

Ao contrário do que sugere o martelete da gastança, não apenas há espaço para ampliação de receita como ele é indispensável ao investimento público capaz de puxar a retomada do setor privado.

O Programa Popular de Emergência (leia a íntegra nesta pág.http://www.cartamaior.com.br/?/Editoria/Movimentos-Sociais/Conheca-o-Plano-Popular-de-Emergencia-da-Frente-Brasil-Popular/2/38216) lista várias outras frentes em que esse pode ser feito.

A revisão da tabela do IR, com um piso de isenção mais alto e a taxação progressiva nas faixas de renda superior é a menção recorrente.

Em exposição recente no Senado, a Secretaria da Receita Federal mostrou a impressionante concentração da riqueza tributável no cume –blindado-- da pirâmide de renda.

Segundo a Receita Federal, em 2016 os 10% mais ricos tiveram 2,4 vezes mais renda que os 50% de contribuintes mais pobres.

A polarização está longe de se esgotar nesse retrato convencional.

Acima do céu existe o céu do céu.

O dado mais impressionante revelado pela Receita é que 0,1% dos contribuintes detinha 43% da renda do 1% mais rico.

Pikety tinha razão: há uma hiperconcentração no cume da concentração.

A renda média mensal declarada do 0,1% mais rico do Brasil foi de R$ 135.103,00 em 2016.
Sobre esse teto recaiu a mesma alíquota máxima de 27,5% paga também pelos assalariados que ganhavam a partir de R$4.700/ mês, ou cerca de R$ 56 mil por ano.

Mas a irracionalidade fiscal é pior ainda.

Graças às isenções, a alíquota efetivamente paga em 2016 pelo 0,1% mais rico limitou-se a 1/3 da tributação máxima vigente no país: 9,1%.

Escandalosamente próxima, portanto, da tributação de 7,5% aplicada aos assalariados com ganho mensal entre R$ 1900,00 a 2800,00.

A mesma distorção se repete na faixa de renda do 0,9%, ganho mensal declarado de R$ 35 mil.

A alíquota efetiva foi de 12,4% --Inferior ao imposto de 15% cobrado de quem ganha isso por ano.

A correção dessas anomalias --associada à adoção do Imposto sobre Grandes Fortunas (IGF), como prevê o Programa Popular de Emergência, ademais do aumento da alíquota sobre grandes heranças-- mudaria a regressividade tributária, elevando a receita líquida para investimentos.

A encruzilhada brasileira está longe de se resolver apenas com um novo arranjo tributário. embora ele a condicione em grande medida.

O que se chama de ‘questão fiscal’ sintetiza, na verdade, um feixe de conflitos de classe aguçados por um ciclo de expansão esgotado, sem que a sociedade tenha pactuado o alicerce político do próximo.

O idioma fiscal traduz em linguagem palatável a nitroglicerina política derramada nesses hiatos da história quando a sociedade decide como será o rateio do passo seguinte da luta pelo desenvolvimento.

O golpe parlamentar de maio de 2016 no Brasil é um capítulo exclamativo desse conflito.

A demonização da agenda popular e de seus porta-vozes se encaixa nessa espiral.

Nos anos 60 ela avançou das cassações às prisões, partindo para a censura, a tortura e os assassinatos políticos.

Foram duas décadas de ditadura militar para consolidar a supremacia das escolhas ‘fiscais’ de uma minoria rica sobre as aspirações de cidadania do grosso da população então.

A retrospectiva mostra que existem múltiplas formas de se remanejar recursos de bolsões do privilégio para o fôlego do desenvolvimento.

É a interdição ao debate dessas alternativas por um sistema político que abdicou de representar a sociedade para servir ao mercado que priva a nação de um espaço de repactuação do futuro.
O monólogo midiático encontra sua funcionalidade aí.

O conjunto se vale do ‘terror fiscal’ para desautorizar o pleito de 85% sociedade por eleições diretas, associadas a uma constituinte exclusiva das reformas política, tributária e do sistema de comunicações.
Se não há como descongelar a base tributável para adequá-la à retomada do crescimento, sobra o quê?
A purga da austeridade.
O sequestro do debate político pelo cativeiro do arrocho.

Sendo mais complexa que isso, a encruzilhada do desenvolvimento trava a nação em uma crise desintegradora.

A resistência dos sistemas políticos nacionais à transferência de fatias da riqueza aos fundos públicos está na origem de sucessivos colapsos assistidos na América Latina.

A carga tributária média na região é inferior a 20% do PIB.

A da União Europeia atinge 40%; no Brasil, como observado, está abaixo de 33%.

Mais de 50% da arrecadação regional é baseada em impostos indiretos, pagos de forma linear pela população, com efeito redistributivo regressivo sobre os mais pobres.

Na União Europeia, dá-se o oposto: mais de 40% da arrecadação provêm de impostos diretos.

No Brasil, o imposto sobre o consumo (que pesa proporcionalmente mais no bolso dos pobres) representa mais de 15% do total arrecadado. A taxação sobre o lucro líquido é dez vezes inferior: menos de 1,5% da receita.

O modelo antissocial contamina todo o tecido econômico e político.

Só pode subsistir ao agravamento das carências seculares, nas crises de transição de desenvolvimento, com a interdição das urnas ao povo.

É esse malabarismo que se desenrola aos olhos de uma sociedade brasileira atônita com o regime político que a boicota.

Acrobatas da democracia sem povo cruzam os ares da nação para apregoar o rodízio no poder sem mudança na primazia fiscal do Estado no neoliberalismo.

Qual seja: tomar emprestado de quem deveria taxar, vigiar, punir e arrochar a sociedade para assegurar o serviço de uma dívida pública exponencial.

Inverter esse jogo vai além de inverter valores nas rubricas de receita/despesa do Estado.

A verdadeira resposta implica contrapor à circularidade do arrocho um novo contrato social de desenvolvimento.

Ademais de corrigir a contraposição brutal assentada no estoque e no fluxo da riqueza, inclui uma redefinição precisa dos motores dinâmicos da economia brasileira no século XXI.

As opções incluem o desafio de ultramodernizar sua agricultura adaptando-a aos requisitos da sustentabilidade.

E o de sofisticar a estratégia energética, vincada na riqueza do no pré-sal, tornando-a uma plataforma de excelência na transição da humanidade para as fontes limpas e renováveis.

Sobretudo, porém, trata-se de extrair desses trunfos naturais os seus impulsos industrializantes.

Aqueles capazes de destravar a inércia da produtividade e da geração da riqueza, em conformidade com os padrões da quarta revolução industrial no planeta.

A política tributária conquistará assim um fôlego corrente de consistência e escala indisponíveis hoje, na medida em que declina a fatia da receita federal proveniente da indústria de transformação (queda de 22% entre 2011 a 2016, contra um recuo de 4,2% no total arrecadado no período, conforme o Valor,07/06/2017).

Somente o voto nascido de uma politização corajosa da agenda do desenvolvimento pode fazer isso: mandatar o instrumento fiscal para ser a usina de futuro dos que ora estão condenados ao passado de desigualdade do berço e da história.