terça-feira, 15 de agosto de 2017

(22) THE WALL: Pink Floyd - Run Like Hell

Moro curte a ostentação da filha do Cunha?

Blog  do Miro 

Moro curte a ostentação da filha do Cunha?

Bárbara com Eduardo Cunha. Foto: Instagram /Reprodução
Por Altamiro Borges

Em maio passado, o jornal carioca Extra, pertencente ao Grupo Globo, publicou uma matéria de fofocas sobre a vida de luxo da filha do presidiário Eduardo Cunha e da jornalista Cláudia Cruz. O justiceiro Sergio Moro, com a sua obsessão doentia contra o ex-presidente Lula, talvez não tenha tido tempo para ler a reportagem. Até hoje, ele garantiu um tratamento especial à família do ex-presidente da Câmara Federal – responsável por aquela “sessão de horrores” que deu a largada ao processo de impeachment de Dilma Rousseff. Cláudia Cruz e seus filhos seguem gozando dos prazeres da vida, sem qualquer pressão do chefe da midiática Lava-Jato – talvez para evitar que Eduardo Cunha acelere a sua delação premiada. Vale conferir alguns trechos da reportagem do jornal Extra:

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Aos 19 anos, Bárbara Cruz da Cunha, filha de Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e da jornalista Cláudia Cruz segue normalmente sua vida de luxo apesar da prisão do pai e do envolvimento da mãe na Lava Jato (ela foi absolvida apenas num dos processos). Em seu perfil no Instagram, a estudante de Publicidade e Propaganda compartilha fotos de looks e viagens, além de visitas a restaurantes sofisticados do Rio.

Com quase 30 mil seguidores na rede social, Bárbara ou Babu, seu apelido, diferentemente dos três irmãos do primeiro casamento de Cunha mantém seu perfil aberto e faz questão de compartilhar inúmeros momentos com o namorado, o publicitário Pedro Annecchini Bleuler, sócio de quatro empresas do ramo de engenharia. A mãe coruja sempre comenta as publicações românticas da filha com corações e aplausos.

Formada pela British School, Bárbara gasta seu inglês pelo mundo e nas legendas das fotos, mesmo quando come um mero sanduíche. Uma das viagens inesquecíveis da moça foi sua visita a Barbados, em 2015. Foi no Caribe que ela e a mãe encontraram paz, três meses após a citação de Cunha na Lava-Jato, em janeiro de 2015, e dele ir à CPI da Petrobras dizer que era inocente. A jovem sequer fica em cima do muro ao demonstrar orgulho do pai: “Homem da minha vida”.


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Sergio Moro, que foi tão implacável com os pedalinhos e o barco de latão do ex-presidente Lula e que agora tenta asfixiá-lo financeiramente, parece não se incomodar com a ostentação do clã Eduardo Cunha. Diferentemente do tratamento desumano dado à falecida Marisa Letícia, ele foi só gentilizas com a jornalista Cláudia Cruz, esposa do correntista suíço e ex-apresentadora da TV Globo. Durante vários meses, ele alegou não ter achado o endereço da ricaça para intimá-la a depor – uma desculpa bem esfarrapada. Na sequência, mesmo com o pedido dos procuradores para que ela fosse condenada “a cumprir pena em regime fechado” por evasão de divisas e lavagem de dinheiro, o juiz Sergio Moro garantiu a sua liberdade.

Em documento protocolado na 13ª Vara Criminal da Justiça Federal do Paraná, em abril passado, o Ministério Público Federal sustentou que Cláudia Cruz foi beneficiária do esquema de corrupção da Petrobras ao manter conta no exterior abastecida com dinheiro de propina. Também alegou que a jornalista usou os valores para comprar artigos de luxo nos Estados Unidos, nos Emirados Árabes e na Europa, além de pagar as despesas familiares. “É claro que Cláudia Cruz, pessoa bem esclarecida, sempre teve conhecimento de que o salário de Eduardo Cunha, como servidor público, jamais seria capaz de manter o elevado padrão de vida por eles mantido”, afirmou o documento dos procuradores enviado ao “implacável” Sergio Moro.

Na ocasião, o MPF sustentou que “Cláudia Cruz não foi simples usuária dos valores, mas coautora de Eduardo Cunha em lavar os ativos mediante a manutenção de conta oculta com os valores espúrios, cuja abertura foi assinada por ela, bem como por converter os ativos criminosos em bens e serviços de altíssimo padrão”. Além de solicitar a sua imediata condenação, “em regime fechado”, o órgão estipulou uma multa de aproximadamente US$ 2 milhões para a esposa do presidiário. Diante deste risco, Eduardo Cunha ameaçou fazer a delação premiada e insinuou que contaria todos os podres da quadrilha que assaltou o poder. Mas o “juiz” garantiu a liberdade dos seus familiares, Michel Temer continua destruindo o país e a filha do correntista suíço segue curtindo a vida de luxo.

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‘Valor’ já descarta as eleições em 2018?


Blog do Miro

‘Valor’ já descarta as eleições em 2018?

Por Altamiro Borges

O jornal Valor Econômico, que pertence à famiglia Marinho e expressa o pensamento da cloaca empresarial brasileira, parece que está preocupado com as eleições presidenciais de 2018. O Grupo Globo, que já havia descartado o odiado Michel Temer, temendo que ele coloque em risco a agenda ultraliberal dos golpistas, dá mais um passo na sua conspiração. A escolha de um sucessor através de eleições indiretas no parlamento – o nome mais cotado no momento é o de Rodrigo Maia, o jagunço dos patrões que preside a Câmara Federal – já não garantiria a aplicação do receituário de desmonte do Estado, da nação e do trabalho. Daí o surgimento da ideia, ainda tímida, de cancelar as próprias eleições do próximo ano.

Na matéria intitulada “Eleições podem impor retrocesso às reformas”, publicada nesta segunda-feira (24), o 'Valor' deixa implícita esta nova tese do golpe dentro do golpe. Segundo a articulista Angela Bittencourt, o poderoso “deus-mercado” estaria temeroso com o voto dos brasileiros. “A eleição presidencial de 2018 poderá minar o esforço empreendido até agora para aprovar reformas estruturais com o objetivo de promover uma recuperação econômica",  afirma o artigo em uma linguagem marota. Ainda de acordo com o texto, 90% dos empresários estão confiantes na “continuidade das reformas”, mas também não escondem os seus temores.

“Questionado sobre candidatos que poderão despertar confiança nos investidores, nosso interlocutor [o jornal omite o nome do executivo] apontou personalidades filiadas ao PSDB: João Doria, prefeito de São Paulo, e Geraldo Alckmin, governador do Estado. ‘O PSDB é um atestado de qualidade de política econômica. Qualquer candidato do partido seria recebido dessa forma’... De Marina Silva à direita, todos serão vistos como bons candidatos e ela mesma pode surpreender sendo bem assessorada. O PMDB está fazendo uma política econômica exemplar, mas não parece haver condição do ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, se fazer candidato. Ele seria o ideal por sua credibilidade, experiência e acertos da atual gestão”.

O ‘Valor’ faz questão de elogiar as maldades do covil golpista, que agravaram o desemprego e estão destruindo o país. “A atual equipe segue um ‘bom roteiro’ de política macroeconômica. A questão fiscal não está equacionada, mas o teto de gastos do setor público foi um meio competente de endereçar os problemas fiscais. O diretor de investimentos de um conglomerado brasileiro entrevistado pela coluna afirma que o espólio do governo Dilma foi uma política macro toda errada, o que levou o país a crescer abaixo do potencial. ‘A taxa de crescimento do PIB voltará ao seu potencial, mas além das reformas estruturais, o governo deve rever uma série de mecanismos que foram criados como paliativos. Um desses é atrelar tudo à variação do PIB. O melhor exemplo é o salário mínimo”. O tal diretor também defende a urgência da contrarreforma da Previdência.

Todos estes “avanços”, na ótica do jornal Valor e dos seus anônimos, correriam sérios riscos caso o pleito do próximo ano não resulte na vitória de um candidato “à direita”. A reportagem não cita o nome de Lula, mas ele paira nas entrelinhas. Diante deste perigo, volta-se ao título da matéria: “Eleições podem impor retrocesso às reformas”. Daí a suspeita de que as eleições presidenciais de 2018 podem ter subido no telhado. A conferir os próximos passos dos golpistas e da sua mídia venal.

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As angústias de Marco Aurélio Garcia

Blog do Miro

As angústias de Marco Aurélio Garcia

Por Altamiro Borges

No final de maio, o sociólogo Marco Aurélio Garcia participou de uma conversa com blogueiros na sede do Centro de Estudos Barão de Itararé. Ele abordou o cenário político mundial – principalmente latino-americano – e brasileiro, enfatizando que a marca deste período é a “imprevisibilidade”. Em vários momentos, o ex-assessor especial dos presidentes Lula e Dilma se mostrou angustiado com a atual onda de retrocesso no mundo – destacando a vitória do belicista Donald Trump nos EUA, o crescimento de seitas fascistas na Europa, os recentes reveses sofridos pelas forças progressistas na América Latina e o golpe orquestrado pela oligarquia rentista no Brasil. Mas, sempre irônico e risonho, nunca deixou transparecer qualquer desânimo. Pessimista no diagnóstico, ele se mostrou um otimista na vontade de lutar – como Antonio Gramsci. Nesta quinta-feira (20), infelizmente, Marco Aurélio Garcia faleceu em decorrência de um infarto fulminante.

Após quase três horas de conversa no Barão de Itararé e depois da intensa bateria de perguntas dos ansiosos blogueiros, o inquieto intelectual ainda aproveitou para falar sobre a sua paixão pelo cinema. Tomou um pequeno gole da cachaça que lhe ofereci e pediu um favor. Disse que soubera que o filme “Fascismo ordinário”, do diretor Mikail Romm, havia sido relançado e solicitou ajuda para encontrá-lo. “Sou um cinéfilo, assisti este filme há muito tempo e ele é ótimo para entender a atual situação do mundo”. Fui atrás e na semana retrasada enviei uma mensagem para o seu e-mail:

“Amigo Marco Aurélio. Tudo bem contigo? Não esqueci do seu pedido sobre o filme ‘Fascismo ordinário’. Estive no congresso na UNE em Belo Horizonte. Conversei com a turma de cultura da entidade, que não sabia da reedição do filme. Peguei umas dicas para encontrar a obra. A informação é que ela é vendida pelo Sebo Querelle. Página na internet: seboquerelle.com.br. Espero que obtenha sucesso. Qualquer problema, dê um grito”. Possivelmente, Marco Aurélio Garcia não teve tempo para ir atrás do filme e para assisti-lo. Descanse em paz.

Em tempo: Na última sexta-feira (14), o incansável intelectual e lutador talvez tenha participado do seu último debate público. Ele esteve na sede nacional do PCdoB, em São Paulo, para participar de um evento promovido pelas fundações Maurício Grabois, Perseu Abramo e Leonel Brizola-Alberto Pasqualini. Reproduzo abaixo o texto de sua autoria que serviu de base para sua intervenção:

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Construir o amanhã

O golpe parlamentar que pôs fim ao Governo Dilma Rousseff colocou na ordem do dia a necessidade de realizar um amplo balanço, que busca (1) analisar as causas do insucesso; (2) contribuir para a derrota do governo atual e da coalizão reacionária, que lhe tem dado sustentação e (3) definir as linhas gerais de um novo projeto para o Brasil, que permita construir um novo amanhã.

A reflexão e as propostas que seguem, apontam para esse amanhã e não devem ser entendidas como um exercício de futurologia nem, tampouco, como uma proposta de programa de governo.

Elas têm, necessariamente, de nutrir-se de uma reflexão crítica sobre o que esteve em jogo nos governos Lula e Dilma e sobre as circunstâncias históricas que cercaram essas duas experiências.

Devem, igualmente, levar em conta o impacto que terá no futuro a contrarreforma em curso nos dias de hoje. A atual reconfiguração do capitalismo brasileiro anula conquistas populares de muitas décadas e nos impõe um programa autoritário e excludente que o povo rejeitou em quatro eleições presidenciais sucessivas e que continua a rejeitar. A herança que deixarão os que hoje detém o poder no Brasil terá consequências extremamente negativas para os que tivermos de reconstruir o país.

Ao invés de propor um conjunto de medidas econômicas, sociais e políticas que permitam ao povo brasileiro superar a grave crise atual e retomar o ciclo progressista interrompido, estas notas tratarão apenas de definir grandes eixos, capazes de apontar para um novo programa democrático e popular. Esse programa é hoje objeto de discussão em inúmeros segmentos da sociedade brasileira.

O Brasil que queremos deve contemplar (1) profundas mudanças nas esferas econômica e social; (2) a vigência plena da democracia, pelo exercício efetivo da soberania popular e (3) a garantia de nossa inserção soberana e solidária no mundo.

O conteúdo e o ritmo dessa mudança está diretamente ligado à capacidade das forças progressistas de reunirem amplos setores da sociedade brasileira em torno de um ambicioso e credível programa de reformas.

Para tanto, é fundamental construir uma correlação de forças sociais e políticas capaz de superar a conjuntura atual e de conduzir, no futuro, de forma politicamente sustentável, as mudanças que o país necessita. Dito de outra maneira: é necessário que as reformas propostas sejam capazes, dentro de um marco democrático, de assegurar sua continuidade no tempo, abrindo espaço para outras reformas mais profundas.

Queremos avançar na democracia. Mas a democracia não se congela ou coagula na versão que os liberais brasileiros tradicionalmente têm do Estado Democrático de Direito, visão que falsifica ou tergiversa os valores que proclama.

Distinto do conservadorismo que pretende apresentar-se como democrático, defendemos uma democracia que associa indissoluvelmente as dimensões econômica, social e política. Uma democracia que cultua a liberdade, a igualdade e a solidariedade e que entende a sociedade como um espaço de permanente criação de novos direitos.

É fundamental dar seguimento e profundidade aos processos de democratização da sociedade brasileira, desencadeados nos últimos anos, como os que promovem a igualdade de gênero, de raça e etnia, seja pela implementação de políticas inclusivas na educação, saúde, na cultura, no campo e no espaço urbano, seja por meio de ações afirmativas (as cotas, por exemplo). O combate a todas as formas de discriminação – sobretudo as violentas – contra mulheres, negros, índios, jovens, LGBT e, em particular, contra os pobres é central para a afirmação da democracia.

A convivência democrática no espaço público supõe que sejam respeitadas as distintas orientações políticas, ideológicas, religiosas, assim como as múltiplas expressões culturais da sociedade, todas elas garantidas por um Estado laico.

A soberania popular se exercerá por meio de processos eleitorais livres, capazes de garantir condições igualitárias de competitividade, mas também pelo exercício de múltiplos mecanismos de consulta que garantam o controle social do Estado e de suas políticas públicas. A soberania do povo não pode ser fraudada pelas interferências do poder econômico e da corrupção. Da mesma forma, a formação da opinião pública não pode sujeitar-se à intromissão, não raro totalitária, dos monopólios da comunicação.

Para superar a atual crise – a maior das últimas décadas – é necessário, além de uma nova política econômica, realizar previamente uma reforma político-institucional capaz de abrir novas perspectivas para a democracia e para o desenvolvimento do Brasil.

A judicialização da política, uma das expressões dos choques institucionais que hoje assistimos, tem como consequência a politização da Justiça, instância que, em alguns de seus segmentos, se considera acima dos demais poderes e isenta de qualquer mecanismo de controle democrático.

Assiste-se não somente um choque entre os poderes da República, mas conflitos no interior de cada um deles. Esses conflitos provocam acentuada erosão do regime democrático e nos colocam com frequência no limiar de um Estado de exceção. São problemas a corrigir no amanhã.

A crise econômica e seu impacto na esfera fiscal, somada à desordem política e institucional afetam duramente o pacto federativo. Importantes estados da Federação se encontram quebrados financeiramente e se revelam incapazes de prover políticas públicas elementares. Não haverá futuro para o país enquanto não se estabelecer um novo equilíbrio regional.

A experiência brasileira e mundial tem nos ensinado que políticas econômicas liberais, fundadas exclusiva, ou centralmente, em ajustes fiscais não têm capacidade de resolver situações agudas de recessão. Ao contrário, provocam seu agravamento, deixando um rastro de degradação social, como são os elevados níveis de desemprego, a queda da renda dos trabalhadores, o endividamento das famílias e das empresas, a liquidação de políticas sociais que beneficiam centralmente aos pobres. Reatar com uma política que articule, como foi possível fazê-lo no passado, crescimento com equilíbrio macroeconômico é, assim, fundamental para um novo ciclo de desenvolvimento.

Um país cuja economia necessita elevadas taxas de crescimento para fazer frente aos complexos desafios que possui não pode ser condenado à desindustrialização e à reprimarização de seu sistema produtivo. Não pode abrir mão do controle nacional de sua terra, nem concentrá-la de forma absurda, ambientalmente predatória e socialmente excludente em grandes monopólios.

Os enormes déficits sociais que ainda possuímos, estão se ampliando, e se ampliarão mais ainda, com o teto imposto, por 20 anos, aos gastos públicos. Os pobres e o mundo do trabalho têm de voltar a integrar o orçamento da República. Educação, saúde, ciência, tecnologia e inovação, assim como as muitas iniciativas que buscam o bem-estar da população devem ser entendidos como “investimento”, nunca como “gasto”.

A democracia política, econômica e social não pode ver-se avassalada por uma coalizão empresarial, hegemonizada pelo capital financeiro, que busca impor ao país, contra a maioria da sociedade, legislações trabalhistas e previdenciárias regressivas, ao mesmo tempo em que fragiliza – quando não destrói – os componentes mais dinâmicos de seu sistema produtivo.

A recessão, a debacle social e a desordem institucional, somadas a uma equivocada e submissa visão da cena internacional, têm como consequência a degradação de nossa política externa, o que compromete a soberania nacional. O Brasil está isolado no mundo e até mesmo na América Latina. Se essa situação não for prontamente revertida a Nação estará condenada à mais absoluta irrelevância na cena global.

Mas a soberania nacional é igualmente golpeada quando a política econômica compromete a realização dos objetivos da Estratégia Nacional de Defesa e seu correlato plano de reaparelhamento das Forças Armadas, impedindo que essas instituições possam cumprir suas obrigações constitucionais e legais.

O até agora exposto, mais do que um diagnóstico da situação nacional, aponta, como que em um espelho, para aquilo que as forças progressistas e democráticas devem construir, tão logo seja superada a difícil e amarga situação que atravessa o povo brasileiro e suas instituições.

A democracia brasileira foi duramente atingida pelo golpe parlamentar de 2016. Agravou-se crise econômica e social que os golpistas diziam poder resolver. A gigantesca sombra que ofuscou o futuro da Nação – e que semeia a perplexidade e a desesperança da sociedade – só poderá ser revertida, quando o povo brasileiro tomar em suas mãos a tarefa de reconstruir um país distinto. Para tanto, será fundamental a realização de eleições livres em todos os níveis e o desencadeamento de um processo de refundação institucional do país, o que, no momento azado, exigirá uma nova Constituição. Esse processo é incerto na conjuntura atual e depende centralmente de nossa acumulação de forças social e política e da clareza de nossa análise de nossas propostas.

O novo desenho político institucional do Brasil, assentado em um verdadeiro Estado democrático de direito, será resultado da retomada, pela cidadania, da formulação do destino nacional.

A reforma política deve buscar dotar o país de instituições políticas independentes e harmônicas, assim como de mecanismos de representação, aí incluindo um novo sistema de partidos que seja efetiva expressão das distintas sensibilidades nacionais e não arranjos a serviço de interesses subalternos. A preeminência que o Judiciário apresenta hoje não corresponde a preeminência do Direito, mas à judicialização da política, que expressa a crise da política.

O Estado democrático de direito a ser construído será laico, defensor dos Direitos Humanos, especialmente quando sua violação, pela violência estatal (nas prisões, pelas polícias), atinge aos mais desassistidos: negros, mulheres, jovens, LGBT, pobres.

A multiplicidade dos mecanismos de controle social do Estado, diminuirá a distância deste em relação aos cidadãos e será poderoso antídoto no combate à corrupção e à burocracia, que inferniza a vida de homens e mulheres comuns. Serão combatidas as corporações burocráticas no interior do aparelho de Estado, que buscam autonomizar-se para implementar políticas próprias e/ou fraudar decisões governamentais, quando não defender interesses particulares. Ao mesmo tempo que combate a corrupção o Estado democrático de direito levará adiante um amplo movimento de eliminação de privilégios de todo o tipo, que deformam os poderes da República.

A economia brasileira deve reatar com uma tradição passada de lograr altas taxas de crescimento, sem o que nossos graves problemas conjunturais e estruturais não serão jamais resolvidos. Distinto de outros momentos de nossa história, deveremos perseguir, no entanto, uma expansão de novo tipo: um prolongado período de desenvolvimento, o que significa um crescimento sustentável do ponto de vista social – capaz de produzir a redução constante da pobreza e da desigualdade – assim como capaz de lograr equilíbrio do ponto de vista macroeconômico.

Para que ambas condições se materializam é necessário que o Estado tenha forte presença em setores estratégicos da economia. Da mesma forma deve exercer plenamente sua função como agente regulador. Especial destaque tem o setor de petróleo (e a Petrobras dentro dele), não só por seu papel na produção de energia, como por sua irradiação em todo o setor industrial.

Caberá ao Estado propor e coordenar a execução de políticas que assegurem a reindustrialização do país, em sintonia com as grandes e aceleradas transformações produtivas em curso no mundo, procurando regionalmente estabelecer cadeias de valor, que permitam à América do Sul, integrada com o Brasil, uma presença mais sólida no mundo e capaz de estabelecer alianças internacionais com parceiros importantes.]

Todo o setor produtivo deverá ser beneficiado pela expansão da ciência, da tecnologia e da inovação, que irão coloca-lo em equiparação com as grandes potências mundiais. Esse imperativo econômico, tem igualmente grande projeção social, pois garante e expande internamente o bem-estar da sociedade.

O processo de retomada, em novas bases, de nosso desenvolvimento passa pela resolução dos gargalos em matéria de infraestrutura: energética, logística, de comunicações, da mesma forma que aqueles relacionados a questões urbanas, nos âmbitos habitacional, de transporte e saneamento. São questões que pedem enormes investimentos e, em muitos casos, exigem iniciativas coordenadas e solidárias com países vizinhos. Aí, uma vez mais, o papel do Estado é fundamental.

O Brasil expandirá sua política de proteção ambiental passada, nos campos e na cidade, visando a sustentabilidade de nosso meio ambiente, mas também melhores condições de vida para nossas populações, sobretudo os mais desassistidos. Manterá e expandirá seus compromissos internacionais sobre a matéria.

Seja nas questões relacionadas à industrialização, à expansão da agricultura, à melhoria dos serviços, como no incremento de infraestruturas, terão papel preponderante os bancos e agencias financeiras estatais. A retomada do crédito será fundamental também para a expansão da agricultura familiar e para os pequenos, micros e médios empreendimentos urbanos. O crédito ocupará lugar igualmente relevante na consolidação de nosso mercado interno, um dos grandes trunfos de que dispomos.

Do ponto de vista macroeconômico será fundamental a redução das atuais taxas de juros – entre a mais altas do mundo – assim como uma política cambial que não penalize o sistema produtivo e dê competitividade às exportações. O equilíbrio fiscal não pode ser logrado por meio de cortes indefinidos de gastos, como estabelece a PEC 95, que tem de ser revogada. Exige uma reforma tributária que garanta a solvência das contas públicas e preserve a renda dos trabalhadores. Ela deve incidir sobre as grandes fortunas, a especulação e todas formas pelas quais são constituídos os grandes patrimônios. Isenções fiscais deverão ser sujeitas a rígidos critérios. Idêntico rigor deve ser aplicado o combate à fraude e à sonegação.

Uma política econômica que privilegie o desenvolvimento e preserve parâmetros macroeconômicos sadios, tem de ser complementada pelo aprofundamento de uma ampla rede de proteção social, com políticas de transferência de renda via Estado e com todo um arsenal de políticas públicas que buscam proteger setores desvalidos da sociedade. Políticas públicas nas áreas de saúde e educação terão indiscutível preferência, tendo em vista o lugar estratégico que ocupam em um Estado de bem-estar.

A revolução produtiva pela qual o Brasil tem de passar não pode ser pretexto para a introdução de normas que degradem o mundo do trabalho. Ao contrário, impõem-se cada vez mais medidas que garantam a redução da jornada do trabalho e mecanismos de formação profissional constante que não façam recair sobre os trabalhadores o ônus da inovação tecnológica.

A educação em todos seus níveis ocupará lugar central no futuro. Não só – e nem tanto – pelo papel que tem no desenvolvimento econômico nacional, mas, sobretudo, enquanto instrumento essencial na formação da cidadania e, assim, como garante da democracia.

A presença ativa e altiva de um país no cenário internacional decorre de dois fatores. Em primeiro lugar, da força de sua economia, do vigor de sua sociedade e da consistência de sua democracia. Em segundo lugar, pelos valores que seu governo defende globalmente e por sua capacidade de entendimento da situação internacional.

O Brasil retomará e aprofundará a política externa que defendeu no início deste novo milênio. Lutará pela paz e pelo desarmamento, pelo respeito a autodeterminação dos povos e pela solução pacífica de conflitos, por uma ordem econômica e social global livre das assimetrias atuais, por um mundo multilateral, multipolar e solidário. Enfatizará a aliança com os países latino-americanos e caribenhos. Por essa razão buscará refundar o MERCOSUL e dar todo apoio a UNASUL e à CELAC. Estará cada vez mais próximo da África, parte integrante de sua política Sul – Sul. Fortalecerá o BRICS e nas instâncias multilaterais, como na ONU ou no G 20, fará sempre
sentir a voz dos que não têm capacidade ou força para expressar-se.

Da mesma forma que condenamos a violência no mundo, um novo governo terá de fazer enorme esforço para combate-la internamente, produzindo uma reforma profunda do arcabouço policial, do sistema prisional e usando de todos os meios disponíveis para difundir uma cultura de paz. As Forças Armadas tiveram seu reaparelhamento interrompido. Para cumprir suas determinações constitucionais e sua vocação dissuasiva, conforme estabeleceu a Estratégia Nacional de Defesa, é fundamental que elas sejam tratadas com o respeito que essas instituições merecem.

O grave retrocesso que o Brasil está vivendo, desconstrói sua economia, desagrega sua sociedade e provoca profunda erosão em seu sistema político. Estamos diante de uma enorme tarefa de reconstrução. Passados os primeiros momentos de desalento e de perplexidade, a sociedade começa a dar sinais de inconformismo com o status quo e mostra disposição em reverter o difícil quadro que estamos vivendo.

As forças progressistas aqui reunidas sabem que têm um caminho complexo e árduo a percorrer. Que exige derrotar os atuais donos do poder e que supõe entender criticamente as razões da grande derrota que sofremos. Mas que depende, também, e essencialmente, de nossa capacidade de formar uma grande coalizão social e política capaz de construir um novo amanhã para o Brasil. Essa coalizão tem de ser mais ampla que o espaço das esquerdas. Aos setores progressistas, representados por partidos de esquerda e movimentos sociais hoje agrupados em Frentes de intervenção política, compete conduzir um movimento, que se faz cada vez maior e mais combativo. Compete fundamentalmente atrair amplos setores democráticos em todas as esferas da sociedade brasileira, inclusive aqueles que, equivocados, participaram da aventura golpista.

Um programa mais avançado, que nos permita superar a situação atual e proteger-nos no futuro de retrocessos, como o que sofremos, será consequência de nossa capacidade de formular alternativas programáticas inovadoras mas, sobretudo, de construir uma nova correlação de forças no país.

A profunda brecha que vivemos nos dias atuais como, de resto, vivem outros países na América Latina, expressa a amplitude da crise que atravessamos e aponta para a magnitude dos desafios que temos pela frente. O Brasil não pode seguir, diante das dificuldades atuais, um caminho que isole as, confinando-as em um canto de nosso tabuleiro político. Não pode, menos ainda, reeditar – em nome da unidade nacional – velhas políticas de conciliação que comprometeram a identidade do progressismo sem dar-lhe a eficácia que anunciavam.

Bolsonaro é multado. Devia ser cassado!


Blog do Miro Borges

Bolsonaro é multado. Devia ser cassado!

Por Altamiro Borges

Por quatro votos a zero, a Terceira Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) manteve nesta terça-feira (15) a decisão que determinou que o fascista Jair Bolsonaro (PSC-RJ) pague indenização à deputada Maria do Rosário (PT-RS) por danos morais. Ele já havia sido condenado em duas instâncias da Justiça pelo crime de incitação ao estupro. Em dezembro de 2014, ele disse no plenário da Câmara Federal – e depois reafirmou ao jornal gaúcho Zero Hora – que não estupraria a parlamentar porque “você não merece”. Ele recorreu da decisão e agora perdeu novamente. A multa aplicada é de apenas R$ 10 mil – um valor insignificante para o deputado que é apoiado pela indústria das armas, pelos ruralistas e outros ricaços reacionários.

Apesar da punição bastante branda, a deputada Maria do Rosário comemorou a decisão do STJ. “É uma vitória que pertence a todas as mulheres. Independentemente do valor, essa condenação tem um sentido, mostra que a imunidade parlamentar não pode servir para incitação da violência e do ódio contra as mulheres. Não movi esse processo pensando no que ganharia, mas em todas as mulheres vítimas de violência. O resultado não tem o tamanho do valor a ser pago, mas sim o tamanho do que representa a condenação de um deputado por agressão a uma mulher. É a primeira vez que isso ocorre. Abre, portanto, uma jurisprudência”, afirmou em entrevista à Rede Brasil Atual.

A deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ), que acompanhou a sessão no STJ, também festejou o resultado. Em março deste ano, ela ingressou com ação penal por ameaça contra o deputado Alberto Fraga (DEM-DF) no Supremo Tribunal Federal (STF). Em debate na Câmara Federal, este jagunço covarde disse à líder comunista que “a mulher que participa da política como homem e fala como homem, também tem que apanhar como homem”. Diante da condenação de Jair Bolsonaro, Jandira Feghali avalia que o ódio machista sofre um revés. “Ninguém pode sair impune por ser um parlamentar, proferir ameaças fascistas e sair ileso. Hoje foi comigo, ontem foi com a deputada Maria do Rosário e amanhã poderá ser com qualquer outra parlamentar”.

Jair Bolsonaro, que está em plena campanha presidencial, é a expressão caricata e doentia da onda fascistoide no Brasil. Ele é um defensor declarado da ditadura militar, com as suas torturas, mortes, censuras e com o próprio fechamento do parlamento. Ele estimula o ódio e a violência contra as mulheres, os negros, os homossexuais, os nordestinos e as forças de esquerda, arregimentando um bando de fascistas debiloides pelo país – sempre com a cumplicidade da mídia conservadora. Hoje é visto por muitos críticos como um sujeito patético e risível. Mas, na prática, ele é uma ameaça real à tão frágil democracia brasileira. A multa de R$ 10 mil foi pequena. Ele merecia ser cassado!

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Metallica - Nothing else Matters (Legendado) HD

terça-feira, 1 de agosto de 2017

Na guerra política, ruas migram para as redes


Na guerra política, ruas migram para como redes

Por Ricardo Kotscho, em seu blog

Às vésperas da decisão da Câmara para autorizar ou não uma abertura de um processo não STF contra o presidente Michel Temer por corrupção passiva, uma população contínua em obsequioso silêncio dedicado aos seus afazeres.

A guerra política que levou ao impeachment da presidente Dilma Rousseff, apenas um ano atrás, mudou de quartel: saiu das ruas barulhentas para as redes de silênciosas redes.

Ao contrário, a disputa agora se trava no escurinho dos gabinetes de Brasília e dos donos do mercado.

Não há ouvidos mais panelaços, não há mais trios elétricos, discursos inflamados contra corrupção, bonecos de presidiários nem patos amarelos enfeitando os protestos.

Nestes tempos de pós-verdade e fake-news triunfantes, argumentos deram lugar a ofensas, não há mais diálogo, apenas monólogos digitados com fúria e rancor.

Cada um vê e escreve o que quer, inventa uma estatística com os números que bem entendido para o defensor do seu lado e destruir o outro.

Para uns, o país começa a melhorar, uma retomada da economia está logo ali adiante, basta um pouco de paciência.

Para outros, não há mais salvação possível, o país está destruído, sem perspectivas de desenvolvimento.

Coxinhas e mortadelas, em número cada vez menor, ainda ficam discutindo na blogosfera e nos botecos quem robou mais ou menos, quando uma corrupção começou, o que é caixa dois do bem ou do mal, quem deve ser um prestador de serviços.

Há várias semanas, uma discussão política se retomar um saber se haverá ou não quórum na quarta-feira para decidir quem fica no Palácio do Planeta até o final de 2018.

Para uma imensa maioria dos brasileiros, tanto faz, um julgar pelo seu desinteresse em Acompanhar esta guerra política sem fim.

Não sei o que há vai dar, ninguém sabe.

Vida que segue.

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Rafael Braga e Breno Borges: quando 9g de racismo pesam mais que 129kg de maconha

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No dia 8 de Abril o empresário Breno Fernando Solon Borges, que é dono de uma metalúrgica e serralheria em Campo Grande no Mato Grosso do Sul, foi preso em conjunto com outras pessoas em dois carros, 130 quilos de Maconha, uma pistola nove milímetros e 199 munições de fuzil calibre 7,62, de uso exclusivo das forças armadas.

Como investigações da Polícia Federal sobre as ações de Breno já produzidas desde o mês de Fevereiro , o grupo foi abordado pela Polícia Rodoviária Federal na BR 262, quando transportavam as drogas e como munições para São Paulo. 

Breno Borges é filho do presidente do Tribunal Regional Eleitoral do Mato Grosso do Sul, uma Desembargadora Tânia Garcia Freitas Borges, e uma das autoridades que preferiu anonimato, segundo o Conjur , o empresário deu o nome da sua mãe para não ser preso. Aquela típica frase: "Você sabe com quem você está falando?"  Uma expressão que remete a identificação social do seu enunciador no topo da hierarquia, demonstrando um tipo de autoridade, que busca com o apadrinhamento político. .  

Breno estava preso a partir de 8 de Abril, e conseguiu no dia 17 de Julho, o direito de aguardar seu julgamento em liberdade, pois a sua defesa conseguiu um laudo médico psiquiátrico sem qual Breno é diagnosticado com " Síndrome de Limite", uma doença que consiste não Desvio de comportamento do individuo, se manifesto através das doações de cognição, de afetividade, de funcionamento interpessoal e controle dos impulsos.

O também Desembargador, Ruy Celso Barbosa Florecência,  concedeu liberdade  para que Breno cumpra tratamento psiquiátrico adequado, sob uma tutela e responsabilidade de sua mãe, que se comprometeu a levá-lo em todas como feiras de auditório. E essa foi uma segunda vez que a defesa de Breno Borges tentou intervir para tirá-lo da prisão com argumentos médicos, uma própria desembargadora e mãe se oferecendo para ser tutora do filho, para que o mesmo fosse internado em uma clínica médica, com alegação Que ele sofre de problemas psicológicos, mas teve o pedido negado em um juicio de primeira instância.

O direito de resposta em liberdade sob alegação médica, é mais um caso onde presos com dinheiro e influência política conseguem produzir médicos para ganhar prisão domiciliar ou internação em clínica, enquanto milhares de presos estão sendo infectados e morrendo nas nossas cadeias por Sífilis, Tuberculose , HIV e convivendo em meio a ratos e baratas. Os casos são flagrados cometendo crimes, são investigados como médicos, desequilibrados, imaturos, semper existindo um argumento atenuante, que visa afastar o estigma do criminoso para o fazer a necessidade de ajuda.    

Breno Borges não é o primeiro caso esse ano, em que um sujeito tem sua prisão revogada, por causa de alianças político-familiares com membros do poder judiciário. Em Janeiro no estado da Paraíba e também empresário Rodolpho Carlos Silva atropelou e matou o agente de Detran em uma blitz da Lei Seca.

Rodolpho chegou a sua prisão preventiva decretada, mas doze horas depois o Desembargador Joás de Brito concedeu um habeas corpus . O Desembargador é amigo da família de Rodolpho Carlos, que é filho do dono Grupo São Braz, um dos maiores produtores de café torrado do país, além de ser neto de José Carlos da Silva, ex-vice-governador da Paraíba. Além de ser donos da filiada local da Rede Globo. 

Enquanto isso, Rafael Braga , um jovem negro e pobre, catador de material reciclável, e que não é filho de uma desembargadora, foi condenado há 11 anos de prisão, por tráfego e tráfego de associações, por portar em um flagrante forjado de 0,6 Gramas de Maconha e 9,6 gramas de Cocaína.   

No dia 19 de julho, a defesa de Rafael Braga entrou com uma ordem de apelação à sentença condenatória, alegando que não foi fundamentada por parte do juiz sobre uma não retirada das algemas de Rafael durante como as audiências, e não é a iniciativa da realização de diligências para o Esclarecimento do caso, como acesso como imagens da câmera da viatura em que Rafael Braga foi levado para a delegacia no dia 12 de Janeiro de 2016. É mais uma etapa do calvário que Rafael Braga vem passando desde sua própria primeira condenação por porte de Pinho Sol E Água Sanitária, no contexto das manifestações de Junho de 2013  

Esses dois casos envolvendo Rafael Braga e Breno Borges, evidenciam toda a contradição da política criminal de drogas e seletividade do poder judiciário, apesar de Breno Borges ter direito a respondedor no processo em liberdade, esse mesmo direito não é garantido a mais de 40% dos Presos brasileiros , que são compostos por presos provisórios. 

Uma política de proibição das drogas quando relacionada com questões sócio-raciais, consegue produzir uma inversão total de porção, onde 9 gramas de racismo, pesam mais do que 129 quilos de maconha.

Henrique Oliveira  é graduado em História e mestrando em História Social pela UFBA e militante do Coletivo Negro Minervino de Oliveira / Bahia.
Sem Justificação 
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quarta-feira, 26 de julho de 2017

Janot avalia juntar 2 crimes em denúncia contra Temer

Época Negócios/Brasil
Globo.com
G1

Janot avalia juntar 2 crimes em denúncia contra Temer

Investigadores querem finalizar a nova acusação formal antes do fim do mandato do procurador Rodrigo Janot, em setembro

O presidente Michel Temer em reunião no Planalto (Foto: Beto Barata/PR)
O PRESIDENTE MICHEL TEMER EM REUNIÃO NO PLANALTO (FOTO: BETO BARATA/PR)



25/07/2017 - 08H59 - ATUALIZADA ÀS 10H17 - POR ESTADÃO CONTEÚDO

 Grupo de trabalho da  Lava Jato na Procuradoria-Geral da República (PGR) pretende apresentar apenas mais uma denúncia contra o presidente Michel Temer, e não duas como chegou a ser cogitado em junho. Investigadores trabalham durante o recesso do Judiciário com a meta de encerrar a apuração que trata dos crimes de obstrução da Justiça e organização criminosa. O objetivo é finalizar a nova acusação formal antes do fim do mandato do procurador Rodrigo Janot, em setembro.

http://globo.com/

sexta-feira, 21 de julho de 2017

O MELHOR LUGAR DO MUNDO


Blog Opinião nao se discute

O MELHOR LUGAR DO MUNDO

Assisti ao filme “Divinas Divas”, de Leandra Leal, apresentando famosos travestis e suas vidas, após longos anos sob holofotes. O resultado é muito bom, mas confesso que o que me tocou realmente foi o Teatro Rival, ali na Cinelândia, Rio de Janeiro, deixado pelo avô de Leandra e que ao longo do tempo tem permanecido vivo, apesar de todas as crises e concorrência. Seus bastidores, camarins, o palco nu ou já com cenário, mas ainda vazio, momentos antes da abertura das portas para a entrada do público. Se vocês soubessem da vida intensa que existe ali, nos bastidores! Para mim, um teatro é um templo, uma igreja. Para pisar no palco e nos bastidores, há de haver respeito por tudo o que representam. Lembrei do Teatro Cuíra, levado a ferro e fogo, sem ajuda dos órgãos de Cultura do Estado e Município, geridos, há tempos, por ignorantes irritados pelo teatro continuar existindo apesar deles. A epopeia, a luta desigual levou nove anos. Nove belíssimos anos, com grandes espetáculos, mas principalmente, uma vida interna gloriosa. O primeiro dia, quando o elenco se reúne, nos bastidores, em torno de uma mesa, nas poltronas, com o diretor no palco, definindo as primeiras tarefas. As sessões de leitura de texto. As primeiras movimentações, estudos de iluminação, os cenários sendo levantados, figurinos testados, a trilha sonora sendo composta. Principalmente, os atores vestindo, aos poucos, aqueles personagens, trocando ideias. No teatro, tudo se discute. O resultado é absolutamente coletivo. Me deu saudade. Um aperto no coração. E vem o dia da estréia. Há um público lá fora. Ouvimos seu burburinho. Atores terminam a maquiagem. Outros se alongam. Fazem exercícios vocais. Discutem as últimas situações. Iluminadores e sonoplastas estão em suas cabines. Fazemos soar a primeira campa. Alguns olham por algum furinho, através das cortinas, tentando reconhecer alguém. Ouvimos alguém rindo de alguma piada. Vem a segunda campa. Todos reunidos, mãos dadas, até o famoso grito de “merda”. Estamos prontos. Corações acelerados. Agora, apresentaremos o resultado de dois, três meses de ensaios. Somos uma família. Durante aquele tempo todo trocamos opiniões, fazemos confissões, reavaliamos nossas crenças. Alguém avisa que aguardará mais alguns minutos porque ainda há público entrando. Um fica em frente à parede, murmurando prece. Outro silencia. Aquele vai ao banheiro para um último pipi. Nos abraçamos, nos beijamos. As ferragens estão expostas. O piso é gasto. Nas paredes dos bastidores, reflexos de outras montagens. A mesa de maquiagem é improvisada. Em instantes eles estarão no palco e serão outras pessoas. A mágica é feita ali, frente ao público. Tudo é possível. As pessoas nào têm idéia como tudo foi ensaiado, cuidadosamente, para que pareça natural. Fechamos o teatro. Uma tristeza imensa. Ninguém veio nos salvar. Talvez tenham festejado. Retirar as poltronas. Desmontar o palco. As ferragens. Som, iluminação. De repente, um vão livre, um vazio. Um vazio nas nossas almas. Eu via e ouvia um mix de tudo o que se passou. As palmas, os risos. Atores dizendo textos. O caminhão partiu com as poltronas, doadas a uma igreja na periferia. O silêncio. Lá fora a cidade em sua correria. Ali dentro, personagens me perguntavam por quê? O silêncio era a resposta. O uivo do vento entoando uma canção triste. Mas o Teatro vive. Agora estamos em uma casa. Estamos, inclusive ensaiando. Vivendo novamente o processo. O melhor lugar do mundo está nos bastidores, antes de soar a terceira campa. Garanto.

Fiesp ressuscita o pato. E cadê os otários?

Blog do Miro

Fiesp ressuscita o pato. E cadê os otários?

Por Altamiro Borges

O farsante Paulo Skaf, amigo íntimo de Michel Temer e filiado ao mesmo partido do usurpador, não teve como escapar. Diante da forte pressão nas redes sociais, ele anunciou nesta sexta-feira (21) que a decadente Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp) vai ressuscitar o seu pato amarelo contra o aumento dos tributos sobre os combustíveis decretado pelo covil golpista. Até a revista Época, da agora “oposicionista” famiglia Marinho, cobrou uma atitude do velhaco oportunista, metido em inúmeras falcatruas.

“Em março, o presidente da Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, disse que colocaria o pato amarelo – que se tornou um símbolo da resistência contra o aumento dos impostos no governo da ex-presidenta Dilma Rousseff – nas ruas diante da possibilidade de o governo do presidente Michel Temer elevar os tributos. O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, anunciou na quarta-feira (19) que o governo vai aumentar o PIS-Cofins sobre os combustíveis para diminuir o estrago nas contas públicas. O pato amarelo vai voltar?”, ironizou o jornalista Murilo Ramos.

Frente às cobranças e ao inevitável desgaste, o coronel da Fiesp se travestiu de valentão e se disse “indignado” com a cacetada de Michel Temer. “Aumento de imposto recai sobre a sociedade, que já está sufocada, com 14 milhões de desempregados, falta de crédito e sem condições gerais de consumo”. Em uma nota lacônica, ele ainda afirmou na maior caradura que a Fiesp se mantém “independente de governos... Não cansaremos de repetir: Chega de Pagar o Pato”.

Será que o farsante voltará a usar o enorme luminoso da fachada do prédio da Fiesp na Avenida Paulista para protestar contra o governo? Será que distribuirá milhares de patinhos amarelos para os mais incautos? Será que patrocinará um “acampamento” de jovens amestrados em frente ao edifício? Será que a Fiesp usará a grana do Sistema S para convocar novas manifestações de rua? A conferir até onde vai a “indignação” de Paulo Skaf, que tem o rabo preso com os velhos corruptos do PMDB e já foi citado várias vezes nas delações de executivos da Odebrecht e de outras empreiteiras.

A conferir, também, qual será a atitude dos “coxinhas”, que foram utilizados como massa de manobra pela cloaca empresarial na cavalgada golpista pelo impeachment de Dilma Rousseff. Como otários, eles ajudaram a alçar ao poder a quadrilha de Michel Temer e Paulo Skaf, que liquidou os direitos trabalhistas, pretende acabar com a aposentadoria e ainda aumenta os impostos. Eles foram os verdadeiros patos nesta triste história da democracia brasileira.

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